Irresponsabilidade do eleitor faz surgir futuro político sombrio no Brasil

Redação
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Misael Igreja - Foto Rafa Neddermeyer

Os mais otimistas continuam achando que o Brasil é o país do futuro. Gostaria de comungar desse otimismo, mas como acreditar em um país cuja maioria tem tanto medo do futuro quanto os políticos têm pavor do passado. Como apostar em eleitores que insistem em tratar políticos como celebridades, aventureiros como mitos e incapazes como salvadores da pátria. É com essa mentalidade que alguns milhões de brasileiros pensam em chegar ao Primeiro Mundo? Sendo tratados como gados, nem eles e nem nós jamais ultrapassaremos o muito que já somos.

Caso os ventos personalistas se mantenham onde estão e os juízes eleitorais permaneçam como dois de paus, políticos envolvidos em safadezas e escândalos diversos, entre eles corrupção desavergonhada, disputarão a eleição do próximo dia 4 de outubro e devem ser eleitos ou reeleitos. O problema é que a cara de pau deles é proporcional à irresponsabilidade eleitoral de boa parte dos quase 160 milhões de eleitores. É exatamente isso que mantém ou traz de volta ao cenário nacional os oportunistas, os parasitas e os obreiros do dinheiro público. São os reis do pedaço.

É aquela velha, embolorada e nunca assimilada história de que voto não tem preço, tem consequência. No Brasil em que basta ter opinião para ser polêmico, não basta xingar os políticos de corruptos e de ladrões e os ministros de tribunais superiores de “vendidos”. O ideal é uma utopia, mas podemos começar a buscá-lo não elegendo que nada fez, nada faz e cada vez mais se envolve nessa sujeira institucionalizada e que nos causa repulsa. Se queremos alterar o status quo, o primeiro passo é mudar a cara do Congresso Nacional e dos parlamentos estaduais e distritais.

É por eles que se inicia a bandalheira em todos os setores da vida pública. Querer chegar ao Primeiro Mundo é muito para uma população que acredita em mitos, pastores de ovelhas desgarradas, conjecturas apocalípticas e milagres sem santos, mas que, serena e solenemente, convive com excelências eleitas, indicadas e concursadas “enforcadas” em praça pública. Enquanto isso, o Brasil continua o mesmo, isto é, sem rumo e bem próximo do naufrágio político e do entreguismo sem custo.

O ano está perto do fim, as lojas começam a se enfeitar para o Natal, os mercados já estão vendendo panetone, as escolas de samba concluem o roteiro para o desfile carnavalesco de 2027 e alguns dos milhões de eleitores continuam em dúvida sobre o que é melhor para o Brasil. Está escrito nas estrelas que aqueles que dizem que sabem tudo não sabem nada. Por isso, prefiro o certo ao duvidoso. Aliás, nem tão duvidoso caso consideremos o passado de fracassos administrativo, econômico e golpista de alguns.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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