A reta final da corrida pelo Palácio do Buriti ganhou uma nova configuração nesta segunda-feira (28). A Executiva Regional do PSD oficializou apoio à candidatura à reeleição da governadora Celina Leão (PP), aproximando-se do bloco político que já reúne o PL e outras legendas em torno da candidata.
O movimento ocorreu depois que a Justiça Eleitoral barrou a candidatura do ex-governador José Roberto Arruda, até então representante do PSD na disputa. Com a mudança, a direção regional da legenda, comandada por Paulo Octávio, decidiu apoiar Celina, embora integrantes do partido tenham sido liberados para adotar posições diferentes na eleição.
A entrada do PSD acrescenta ao palanque de Celina uma legenda com estrutura política no Distrito Federal e ocorre no momento em que o PL já participa diretamente de sua campanha. Na solenidade desta segunda-feira estavam, entre outras lideranças, as candidatas ao Senado Bia Kicis e Michelle Bolsonaro, ambas do PL.
O encontro simbolizou a aproximação de forças que começaram a campanha em campos distintos. De um lado, o PL já havia assumido o apoio à governadora. Do outro, o PSD disputava o Palácio do Buriti com Arruda. Com a retirada do ex-governador da corrida, as direções das duas legendas passam a convergir em torno da candidatura de Celina.
Além do apoio político, o PSD apresentou uma pauta que pretende incorporar ao programa de uma eventual próxima gestão.
Entre as prioridades estão o fortalecimento dos serviços essenciais, investimentos em Saúde, Educação e Segurança Pública, ampliação das políticas de inclusão e proteção social e atenção especial às famílias em situação de vulnerabilidade e às famílias atípicas.
A legenda também defende medidas voltadas à geração de emprego e renda, regularização fundiária, equilíbrio fiscal e recuperação do BRB.
Durante o ato, Paulo Octávio apresentou a decisão como resultado de uma avaliação da Executiva Regional diante do novo cenário eleitoral.
Para o dirigente, a mudança de rumo representa uma opção institucional do partido depois da impossibilidade de prosseguimento da candidatura própria.
“O PSD é um partido de história e profunda responsabilidade política. Diante do novo cenário, entendemos que o melhor caminho para Brasília é apoiar Celina Leão — uma mulher guerreira e dedicada, que tem demonstrado empenho incansável pela cidade”, afirmou.
A reorganização alcançou também a corrida pelas duas vagas do Distrito Federal no Senado.
Ronaldo Fonseca, que concorria pelo PSD, retirou sua candidatura nesta segunda-feira e declarou apoio às candidaturas de Bia Kicis e Michelle Bolsonaro, ambas do PL.
A decisão reduz a dispersão dentro desse campo político e aproxima ainda mais as estruturas partidárias de PL e PSD na reta final da campanha.
Bia Kicis destacou essa convergência durante o encontro. Falando também como presidente regional do PL, lembrou que seu partido já havia assumido compromisso com a candidatura de Celina.
“Foi a Michelle quem trouxe esse compromisso, e nós não abrimos mão disso. E hoje eu estou muito feliz porque caminhamos juntas. E mais feliz ainda porque a gente já tinha o André Kubitschek conosco e agora trouxe o PSD inteiro para essa coligação”, declarou.
A parlamentar afirmou ainda que o objetivo político do grupo é trabalhar pela eleição de Celina já no primeiro turno.
Celina recebeu a adesão destacando a necessidade de superar as divergências existentes durante a primeira parte da campanha.
A governadora afirmou que pretende preservar espaço para os candidatos proporcionais do PSD e incorporar propostas apresentadas pela legenda ao seu programa.
“Este gesto do PSD nos enche de responsabilidade e gratidão. A política exige maturidade para virar páginas e colocar o interesse da cidade acima de qualquer divergência”, declarou.
Segundo Celina, a chegada do PSD acrescenta quadros e propostas ao projeto que sua candidatura apresenta para áreas como gestão pública, políticas sociais e desenvolvimento econômico.
Michelle Bolsonaro também participou da solenidade e ressaltou tanto a aproximação com Paulo Octávio quanto a presença feminina no cenário político do Distrito Federal.
“Estar ao lado do Paulo Octávio é um sentimento de alegria, de privilégio muito grande. Ele é um patrimônio de Brasília”, afirmou.
A candidata ao Senado disse ainda que sua decisão de participar da eleição esteve ligada ao apoio à candidatura de Celina e mencionou, entre suas prioridades, a defesa do Fundo Constitucional do Distrito Federal.
“Se você não fosse a candidata ao governo, também não aceitaria essa missão que o meu marido me confiou”, disse Michelle, dirigindo-se à governadora.
A fotografia produzida pelo encontro desta segunda-feira registra uma mudança importante na reta final da eleição brasiliense.
O PSD, que iniciou a campanha tentando levar José Roberto Arruda novamente ao Palácio do Buriti, passa institucionalmente para o lado de Celina. O PL, por sua vez, mantém o apoio que já havia declarado à governadora e participa da composição com duas candidaturas ao Senado.
A adesão partidária, entretanto, não significa unanimidade dentro do PSD. Arruda declarou publicamente que não apoiará Celina, e outros integrantes da legenda adotaram posições diferentes da direção regional.
Ainda assim, do ponto de vista das alianças formais e das estruturas partidárias, Celina chega aos últimos dias da campanha cercada por um arco político mais amplo do que aquele com que iniciou a disputa.
PP, PL, Republicanos e agora a direção regional do PSD passam a dividir o mesmo espaço político na corrida pelo Buriti. O impacto dessa recomposição sobre o eleitorado será medido nas urnas.

