Realidade política faz crescer fé na esperança

Redação
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Mathuzalém Júnior - Foto Lula Marques

Conceitualmente, expectativa e realidade é a diferença entre o que imaginamos ou desejamos que aconteça e o que de fato ocorre, algo com teoria e prática. Sintetizando, expectativa é a esperança, o plano ou a ideia idealizada que criamos na mente para o futuro. Na contramão dos sonhos, realidade é o mundo como ele é. São os fatos concretos e o que realmente acontece no dia a dia. Quando a expectativa é alta demais ou próxima do irrealidade, a realidade costuma gerar decepções e feridas de difícil cicatrização.

Se querem mais detalhes sobre o que significa um e outro conceito, voltemos ao domingo da eleição. O que temporariamente perdeu talvez não seja o grande referencial político do mundo. Entretanto, é o que temos de melhor, é o que funciona e o que, mesmo que não gostem e, portanto, neguem, atende a gregos, baianos, tecnocratas, evangélicos, macumbeiros, falsos profetas e a todos que querem vê-lo longe da cadeira que ocupa.

Ele é nossa realidade e sobrava como uma melodiosa expectativa. Venceu o futuro que assusta e, por isso, os que que vivem esse incômodo presente têm de se limitar a mandar notificações àqueles que preferiram navegar por mar reconhecidamente revolto. Na verdade, é uma iniciativa desnecessária, na medida em que a resposta e as justificativas para um voto com tamanha acidez e azedume o Brasil inteiro já conhece.

O problema é que o amargo sofrimento não atingirá apenas quem votou na irrealidade. Aliás, tenho medo de perguntar a Deus onde foi que esse pessoal errou e Ele não parar de falar. Por conta da turma que confundiu a urna eletrônica com um cesto de lixo, faz quase uma semana estou igual Wi-Fi ruim: instável. Pelo menos, desde domingo me sinto na obrigação de diminuir as expectativas, de modo a reduzir as próximas decepções.

Conforme dizem os pensadores mais otimistas, é de esperança que vive o homem. Ainda que cético, decidi concordar e voltar a sonhar até o dia 25 de outubro, data do segundo turno da eleição presidencial. Detesto ter de esperar, confiar e não saber o que vai acontecer. Todavia, consciente de que o segredo da felicidade é a baixa expectativa, decidi mais uma vez escancarar a boca cheia de dentes para esperar a urna se abrir.

Com relação aos outros, os que me fizeram temer a derrota da realidade, além da decepção, optei por enterrar todas as expectativas. Como essas pessoas não ligam nem para si mesmas, resolvi substituí-las criando gato, cachorro, periquito, hamster, cobras, iguanas e minhocas. Caso se confirme o que está posto, os do contra (ou a favor) terão o governo que merecem. Quanto a mim, não sei se me entendem, mas a felicidade equivale à realidade, menos as expectativas.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978  

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