O sonho vascaíno de conquistar a Copa Sul-Americana morreu na noite desta terça-feira, 20, diante de mais de 66 mil torcedores no Maracanã. O Boca Juniors não tomou conhecimento da vantagem conquistada pelo Vasco em Buenos Aires, venceu por 3 a 1 e carimbou o passaporte para a grande final da competição. No placar agregado, 3 a 2 para os argentinos, que transformaram o templo do futebol brasileiro em palco de uma festa azul e amarela.
A equipe da Cruz de Malta entrou em campo carregando a confiança de quem havia vencido o primeiro confronto por 1 a 0, na temida Bombonera. Bastava um empate para alcançar a decisão. Mas o futebol, caprichoso como sempre, resolveu escrever um roteiro cruel para os donos da casa. O Boca engoliu a vantagem vascaína, calou as arquibancadas e deixou pelo caminho um adversário que chegou a sonhar com a classificação até os minutos finais.
O primeiro golpe veio praticamente no apito inicial. Aos três minutos, Lautaro Di Lollo aproveitou cobrança de escanteio e, de cabeça, abriu o placar para os visitantes. O gol não apenas silenciou momentaneamente o Maracanã, como também igualou o confronto no agregado. A partir daí, os argentinos assumiram o controle emocional da partida, enquanto o Vasco demonstrava dificuldades para organizar suas ações ofensivas.
Aos 34 minutos, Miguel Merentiel ampliou a vantagem. O atacante uruguaio recebeu passe de Sebastián Villa, avançou em direção à área e venceu Léo Jardim, fazendo 2 a 0. O resultado colocava o Boca na final e obrigava os cariocas a uma reação que parecia distante diante da superioridade argentina na primeira etapa.
Na volta do intervalo, o Vasco tentou recuperar o futebol e a coragem que haviam ficado no vestiário. As mudanças promovidas pelo técnico Pedro Emanuel deram maior movimentação ao ataque, especialmente com as entradas de Marino Hinestroza e Brenner.
A esperança renasceu aos 21 minutos do segundo tempo, quando Puma Rodríguez balançou as redes e diminuiu para 2 a 1. Com o placar agregado empatado em 2 a 2, a decisão caminhava para os pênaltis. O Maracanã voltou a acreditar. A torcida cantou mais alto, empurrou o time e alimentou a expectativa de uma classificação dramática.
Mas o destino ainda guardava sua última e mais dolorosa peça. Aos 42 minutos, Leandro Paredes arriscou uma finalização que encontrou Léo Jardim pelo caminho. O goleiro vascaíno chegou à bola, mas falhou na tentativa de defesa e acabou permitindo que ela entrasse. Era o terceiro gol argentino, o golpe de misericórdia em um Vasco que já não tinha tempo nem forças para buscar outra reação.
O Boca explodiu em comemoração. O Maracanã mergulhou na incredulidade, e a torcida cruz-maltina, que havia chegado sonhando com a grande final, deixou o estádio carregando o peso de mais uma frustração internacional. A classificação coloca o Boca Juniors na decisão marcada para 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia. O adversário sairá do confronto entre Atlético-MG e Montevideo City Torque, que definem a outra vaga nesta quarta-feira, 21. O time mineiro venceu a primeira partida por 3 a 0 e está em situação confortável.
Para o Vasco, resta recolher os cacos, reorganizar o elenco e concentrar suas atenções no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil. A eliminação deixa marcas profundas, sobretudo pela maneira como aconteceu, justamente em casa, diante de uma multidão e depois de uma vitória histórica em território argentino.
O futebol costuma premiar a ousadia, mas também castiga a desatenção. Nesta terça-feira, o Boca Juniors mostrou que tradição, experiência e eficiência podem falar mais alto do que a vantagem construída no primeiro jogo. O Vasco tinha o Maracanã, a torcida e o resultado anterior. O Boca levou a classificação. E, quando o árbitro encerrou a partida, ficou uma certeza amarga para os cruz-maltinos, de que o sonho da Sula não morreu na Bombonera, mas em casa, engolido pelo Boca.

