Neymar perde a cabeça, é expulso e Santos arranca empate contra o Bahia

Redação
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Bartô Granja, Edição - Foto Divulgação

A Vila Belmiro viveu uma noite de futebol, tempestade e nervos à flor da pele neste sábado, 24. Santos e Bahia empataram por 1 a 1, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, mas o resultado acabou ofuscado por um episódio que colocou Neymar novamente no centro de uma polêmica. O camisa 10 santista perdeu o controle emocional, envolveu-se em sucessivas discussões com Rodrigo Nestor e terminou expulso antes do início do segundo tempo.

O episódio teve ingredientes de sobra para transformar uma partida de futebol em um espetáculo de tensão. Houve provocações, reclamações contra a arbitragem, um empurrão no técnico Rogério Ceni e, finalmente, a intervenção do árbitro de vídeo, que resultou na aplicação da chamada Lei Vini Jr., criada para combater comportamentos associados a possíveis ofensas racistas.

A confusão começou ainda na primeira etapa, quando Neymar sofreu uma falta de Rodrigo Nestor e reagiu atirando a bola contra o adversário. O jogador do Bahia caiu no gramado, provocando a irritação do santista. O árbitro Sávio Pereira Sampaio mostrou cartão amarelo ao atacante, mas a advertência não foi suficiente para acalmar os ânimos.

A situação piorou depois que Luciano Juba abriu o placar para o Bahia, aos 37 minutos, com um forte chute da entrada da área. Neymar reclamou de uma suposta falta na origem da jogada e acabou discutindo com integrantes da comissão técnica adversária, chegando a empurrar Rogério Ceni.

O capítulo mais grave ocorreu na volta do intervalo. Neymar procurou novamente Rodrigo Nestor e, durante a discussão, cobriu a boca com a mão. Alertado pelo VAR, o árbitro revisou as imagens e aplicou o cartão vermelho direto, com base na regra que pune esse tipo de gesto durante confrontos verbais entre jogadores.

A expulsão provocou uma reação explosiva do atacante, que tentou se aproximar novamente de Nestor e precisou ser contido pelos companheiros.

Nas redes sociais, Neymar admitiu que errou ao colocar a mão na boca, mas negou ter feito qualquer comentário racista. Acusou o adversário de explorar indevidamente uma regra destinada a combater o racismo. Rodrigo Nestor, por sua vez, criticou a postura do santista e afirmou ter sido desrespeitado durante as discussões.

Dentro de campo, entretanto, o Santos encontrou forças para reagir. Mesmo com um jogador a menos e enfrentando um gramado castigado pela chuva, a equipe comandada por Cuca pressionou o Bahia durante a etapa final.

A recompensa veio aos 47 minutos. Após cobrança de escanteio de Rollheiser, o zagueiro Luan Peres apareceu na área e cabeceou para o fundo das redes, decretando o empate e levando a torcida santista ao delírio.

O resultado deixou o Bahia na sétima colocação, com 50 pontos, enquanto o Santos chegou aos 46, permanecendo em oitavo lugar. Ambos seguem na disputa por posições que garantam participação na próxima Libertadores.

Para Neymar, porém, as consequências vão além do empate. O atacante está fora do clássico contra o Palmeiras, na quarta-feira, 28, e também deverá desfalcar o Santos diante do Red Bull Bragantino, em razão das suspensões decorrentes dos cartões recebidos.

O episódio reacende uma discussão antiga sobre o comportamento do jogador. Dono de talento indiscutível, Neymar continua capaz de decidir partidas com um toque de genialidade. Mas, quando permite que as provocações substituam o futebol, transforma sua principal virtude em uma ausência que prejudica a própria equipe.

Na Vila Belmiro, o Santos mostrou que ainda sabe reagir às adversidades. Neymar, por sua vez, deixou o gramado com uma lição que parece insistir em não aprender: no futebol, a cabeça precisa trabalhar tão bem quanto os pés.

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