O presidente do Instituto Fernando Hessen, Ricardo André, pediu-me para alinhavar alguns itens de segurança para o voluntariado em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), especialmente Medicina Tradicional Chinesa (MTC), que realizamos todos os sábados, das 9 horas até o início da tarde, no Centro Comunitário da Candangolândia.
Para a realização das atividades é fundamental que o voluntário realize seu trabalho com amor, compromisso e dentro das regras da instituição. Segundo as Nações Unidas, “voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem-estar social”, tais como hospitalar, creches, asilos, mutirões públicos etc., realizadas por pessoas, grupos, ONGs ou instituições.
Pessoalmente, considero meu trabalho voluntário em MTC como uma residência acadêmica. Ao longo de mais de 10 anos de voluntariado atendi centenas de pacientes, de ambos os sexos, mulheres grávidas, pessoas de todas as idades, crianças, jovens e idosos, e com todo tipo de comorbidade, o que me estimula a estudar e pesquisar mais e mais o corpo humano e seu funcionamento, alimentação, comportamentos e a própria vida. Com essa experiência é que posso investigar e compreender as causas do sofrimento dos pacientes.
Além de o voluntariado lançar luz sobre o que é a vida, o amor, o compromisso, ainda faturamos o aprendizado de nos relacionarmos harmonicamente com o próximo.
Um equívoco quanto ao voluntariado é participar dele buscando projeção social ou contatos comerciais. É um equívoco porque interesses secundários impedem a concentração no objetivo do voluntariado: acolher.
Para que o fluxo dos trabalhos aconteça de força harmônica e contínua, sem contratempos, é necessário observarmos algumas coordenadas, as quais enumero a seguir:
1 – As macas devem ficar a um metro umas das outras e meio metro distantes da parede, para que o terapeuta possa girar em torno do paciente. Isso é o ideal. Não havendo condições ideais, deve-se arrumar as macas da melhor maneira possível para o bom andamento dos trabalhos.
2 – Deve-se falar em tom de voz baixo e evitar músicas no ambiente, mesmo as consideradas relaxantes, pois qualquer ruído interfere na anamnese.
3 – Não obstrua os corredores e a bancada onde fica o material que está sendo utilizado durante o atendimento. Bata papo fora do salão onde estão as macas.
4 – Importantíssimo: ao terminar de retirar as agulhas de um paciente idoso, oriente-o a levantar-se corretamente e, se for preciso, ajude-o a levantar-se. Só o deixe quando ver que ele está em segurança, pois se um idoso cair, ao tentar levantar-se sozinho, e morrer, vai dar polícia, Justiça, indenização e até paralisação dos trabalhos, ou seja, problemas graves para a instituição.
5 – Assim que o paciente for atendido é necessário anotar na ficha o horário de retirada das agulhas, ou das ventosas. E assim que as anotações forem feitas, coloque a caneta no lugar dela, para que todo mundo possa usá-la.
6 – Na véspera do sábado, arrume, na sua casa, seu jaleco e procure comparecer aos trabalhos o mais arrumado possível, pois, assim, você transmitirá confiança ao paciente.
7 – Qual é a ordem de pôr e retirar agulhas de acupuntura? A estética na arte de inserir
Em acupuntura, trabalhamos com a energia Qi, que pode ser chamada também de energia vital, ou Deus. Ela vem sempre do alto. As agulhas são antenas para captar a energia Qi e, os acupontos, vórtices que absorvem o Qi e o introduzem nos meridianos, ou canais energéticos.
Assim, diagnosticado o desequilíbrio energético, devemos começar a aplicar o protocolo selecionado sempre do alto para o baixo. Procuro aplicar as agulhas, em qualquer caso, começando pelo VG20 (Vaso Governador 20), ou Chacra Coronário. Vigésimo ponto do Vaso Governador, situa-se no topo da cabeça, constituindo-se, portanto, no ponto mais alto do corpo, ou o ponto mais Yang.
A energia Qi tem duas polaridades, Yin e Yang, negativa e positiva, que se complementam, amalgamam e se transformam uma na outra, quando atingem seu ponto de equilíbrio. O Tao, a vida plena, é o equilíbrio de Yin e Yang.
O VG20 é o ponto mais próximo do céu, do espírito. Clareia o tempo nublado, os pensamentos, promovendo fé, esperança, ânimo, entusiasmo. Dissipa depressão e ansiedade, e remete a pensamentos bons; à luz.
A seguir, acrescento o Yintang, o chacra do Terceiro Olho, um ponto entre as sobrancelhas. Esse ponto abre os olhos da mente.
Agora, o paciente está pronto para receber o restante do protocolo, até os pés.
Para retirar as agulhas, a mesma coisa. Vamos supor que se retire as agulhas do baixo para o alto, ou desordenadamente. Ao se retirar a agulha posicionada na parte mais inferior do corpo a energia Qi se escoa. Agora, vamos supor que o acupunturista comece a retirar as agulhas no meio do corpo. Aí, estará interrompendo o fluxo energético entre o alto e o baixo.
De modo que se deve retirar as agulhas também do alto para o baixo, pois, assim, o equilíbrio conseguido com o fluxo energético acionado pelo protocolo utilizado será conservado até depois da retirada da última agulha, no baixo.
Outra questão que perpassa a prática da acupuntura é a posição das agulhas. Lembro que, há muitos anos, um amigo meu, um dos maiores pintores do Pará, José de Moraes Rego, um esteta, por conseguinte, e também proctologista, me contou que teve um professor na universidade que lhe passou um ensinamento o qual seguiu a vida toda.
Ao costurar um tecido rompido, mesmo no ânus, a costura deve ser correta, deve ter uniformidade e ser feita com o devido cuidado. Em outras palavras, a costura deve ter elementos estéticos: ordem, ritmo, intenção bondosa. O resultado será o ápice estético, nesse caso, a cura, o ajustamento das duas bordas do tecido de forma que não surja queloide, que o tecido volte ao normal.
Assim é com as agulhas, que são antenas afixadas em vórtices para captarem a energia Qi. Na acupuntura bilateral, as agulhas devem ser afixadas em posições semelhantes e na profundidade certa, obedientes à ordem, ritmo e intenção bondosa.
O corpo é apenas um trajo espacial que o espírito veste para viver na atmosfera terrestre. É a parte material da mente. Mas a mente é composta também de outros corpos, como, por exemplo, o astral, o corpo das emoções.
Se o acupunturista compreende como funciona a energia Qi e obedecer às leis da ordem, sendo fiel ao protocolo e posicionando as agulhas com ritmo e obedecendo às leis da estética, inclusive do alto para o baixo, gerará boas emoções e terá alcançado seu objetivo. O resto é com o paciente.

