Há quem diga que a beleza feminina é um presente da natureza. Outros preferem acreditar que é uma dádiva dos deuses. Os gregos, mais poéticos e talvez mais sábios, resolveram a questão criando Afrodite, a divindade do amor, da sedução e da beleza. Se a deusa desembarcasse hoje em Brasília, passeasse pelos salões do Lago Sul, pelas boutiques do Plano Piloto ou pelos sofisticados centros de estética de Águas Claras, provavelmente ficaria encantada. Ou, quem sabe, sentiria uma pontinha de ciúme.
Afinal, suas representantes na Terra aprenderam a multiplicar os encantos que, na mitologia, eram privilégios do Olimpo. O botox, por exemplo, tornou-se um aliado de quem deseja suavizar as marcas do tempo. Pequenas aplicações de toxina botulínica, realizadas por profissionais habilitados, ajudam a amenizar rugas de expressão e devolver ao rosto uma aparência descansada. Não se trata de abolir a idade, mas de negociar diplomaticamente com ela. O calendário continua avançando, enquanto o espelho, generoso, parece disposto a guardar alguns segredos.
Mas a revolução da beleza vai muito além das rugas. Os olhos, eternos mensageiros da alma, ganharam novas possibilidades de expressão. As lentes de contato coloridas permitem que uma mulher de olhos castanhos experimente, por algumas horas, o mistério das esmeraldas, a profundidade dos oceanos azuis ou o fascínio dos tons acinzentados. É como se cada olhar pudesse escolher sua própria paisagem.
Uma morena de olhos negros pode amanhecer com o verde das florestas tropicais. Uma loira de olhos claros pode descobrir a intensidade de um castanho cor de mel. E aquela mulher que sempre admirou o azul do Mediterrâneo pode encontrar, diante do espelho, uma versão diferente de si mesma.
Tudo isso sem perder a essência. Porque a verdadeira beleza não está na cor dos olhos, mas na luz que eles transmitem. As lentes são acessórios de expressão e exigem adaptação e orientação de um oftalmologista, mesmo quando utilizadas apenas por razões estéticas.
Se os olhos são as janelas da alma, os cílios tornaram-se suas cortinas de seda. Longos, curvados, volumosos, delicadamente desenhados, os cílios postiços e as extensões conquistaram lugar de destaque nos rituais femininos. Alguns parecem asas de borboletas prestes a levantar voo. Outros oferecem a discrição elegante de um traço de pincel sobre uma tela renascentista.
Há mulheres que preferem o efeito natural. Outras gostam da dramaticidade de um olhar cinematográfico, daqueles que dispensam palavras e transformam um simples movimento das pálpebras numa declaração de intenções.
Cleópatra, que sabia utilizar a maquiagem como instrumento de fascínio e poder, certamente encontraria nas técnicas atuais motivos para ampliar seu lendário arsenal de sedução.
E o que dizer das unhas? Antigamente, bastava uma camada de esmalte vermelho para anunciar elegância. Hoje, unhas postiças, alongamentos em gel, formatos amendoados, desenhos geométricos, aplicações delicadas e pequenos cristais transformaram as mãos em verdadeiras galerias de arte.
São dez pequenas telas que acompanham os gestos femininos. Uma mão que segura uma taça, ajeita os cabelos ou repousa sobre a mesa de um restaurante pode revelar tanto cuidado estético quanto um vestido escolhido para uma ocasião especial.
Há unhas discretas, em tons de nude, que parecem sussurrar sofisticação. Outras, vermelhas como rubis, anunciam personalidade. E existem aquelas cobertas de brilho, capazes de competir com as estrelas numa noite sem nuvens.
A moda, nesse universo, deixou de ser apenas aquilo que veste o corpo. Passou a ornamentar também os detalhes. Afrodite não precisaria mais de um templo. Bastaria visitar um salão de beleza. Ali, entre espelhos iluminados, pincéis, cremes, perfumes e profissionais especializados, mulheres comuns experimentam pequenas metamorfoses. A executiva que passou o dia entre reuniões reencontra a delicadeza de um olhar renovado. A dona de casa, depois de cuidar de todos, reserva algumas horas para cuidar de si. A jovem descobre novas possibilidades de estilo. A senhora de cabelos prateados demonstra que a vaidade não conhece certidão de nascimento.
Naturalmente, a beleza contemporânea também exige equilíbrio. Botox não deve transformar expressões em máscaras. Lentes de contato precisam respeitar a saúde dos olhos. Cílios e unhas artificiais requerem aplicação cuidadosa, higiene e manutenção para evitar alergias, infecções e danos aos fios e às unhas naturais. O excesso pode destruir justamente aquilo que se pretende valorizar: a individualidade. Porque nenhuma mulher precisa se transformar em outra para se sentir bonita. Os recursos da estética devem funcionar como molduras de uma obra de arte que já existe.
Aí está a maior conquista feminina nesse maravilhoso universo da beleza: a liberdade de escolher. Escolher cabelos longos ou curtos. Assumir os fios brancos ou pintá-los de dourado. Usar batom vermelho ou dispensar maquiagem. Experimentar lentes verdes numa sexta-feira e voltar aos olhos castanhos no sábado. Alongar as unhas para uma festa e preferir a simplicidade na semana seguinte.
A mulher contemporânea não precisa pedir licença a Afrodite para reinventar sua aparência. Tornou-se senhora do próprio espelho. No fundo, os gregos talvez tenham cometido um pequeno equívoco ao imaginar que existia apenas uma deusa da beleza. Se conhecessem as mulheres de hoje, compreenderiam que Afrodite não era uma personagem solitária, mas a representação de milhões de divindades espalhadas pelo mundo.
Algumas usam botox. Outras preferem suas rugas, testemunhas de histórias bem vividas. Umas encantam com olhos verdes, cílios exuberantes e unhas impecáveis. Outras conquistam pela simplicidade de um sorriso espontâneo. Todas, à sua maneira, carregam um pouco do Olimpo.
E se Afrodite pudesse deixar um conselho às suas representantes modernas, talvez dissesse que cremes, lentes, cílios e esmaltes são maravilhosos instrumentos de transformação. Mas nenhum deles supera o brilho de uma mulher que se olha no espelho e gosta da pessoa que vê. Porque a beleza pode nascer da natureza, receber os retoques da ciência e ganhar os enfeites da moda. Mas é na autoestima que ela encontra sua verdadeira eternidade.


Adorei!! Parabéns!! 👏👏