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100 anos de conflitos dos EUA ao redor do mundo

A política externa dos Estados Unidos ao longo do último século foi marcada por uma transição de um isolacionismo relativo para uma postura de superpotência global. Isso resultou em uma vasta cronologia de intervenções militares e conflitos armados, refletindo a defesa de interesses geoestratégicos e econômicos, bem como a exportação de modelos políticos.

A entrada definitiva dos EUA na Segunda Guerra Mundial em 1941, após o ataque japonês a Pearl Harbor, consolidou o papel do país como o “arsenal da democracia” contra as potências do Eixo. O fim da guerra não trouxe paz, mas sim o início da Guerra Fria, um período de confrontos indiretos e intervenções para conter o avanço do comunismo global.

A Guerra da Coreia (1950-1953) foi o primeiro grande teste desta nova ordem, resultando numa divisão peninsular que persiste até hoje. A Guerra do Vietname (1950-1975) se tornou um marco de resistência popular e trauma político para a sociedade americana.

Na América Latina, a influência americana se manifestou frequentemente através de operações encobertas e apoio a golpes de Estado, como no Brasil (1964) e Chile (1973). Essas intervenções moldaram a política regional por décadas.

O final do século XX viu intervenções rápidas, como a Guerra do Golfo (1990-1991) e as intervenções nos Balcãs. O século XXI trouxe um novo paradigma com os ataques de 11 de setembro de 2001, dando início à prolongada Guerra ao Terror.

A invasão do Afeganistão (2001) tornou-se a guerra mais longa da história americana, terminando apenas em 2021. A Guerra do Iraque (2003) desestabilizou o Médio Oriente e gerou um vácuo de poder que permitiu a ascensão de grupos extremistas.

Intervenções mais recentes incluem o apoio a coligações na Líbia (2011) e a participação na guerra civil da Síria. Estima-se que as operações contra o terrorismo em mais de 80 países tenham resultado em quase um milhão de mortes diretas desde 2001.

Os EUA mantêm uma presença militar vasta, com centenas de bases em solo estrangeiro, e continuam envolvidos em conflitos indiretos. Isso gera debates intensos sobre o custo humano e financeiro de manter uma ordem global baseada na força militar.

Críticos argumentam que muitas destas guerras foram provocadas para assegurar o acesso a recursos naturais ou para manter a hegemonia do dólar. Defensores da política externa americana sustentam que estas ações foram necessárias para prevenir conflitos maiores ou proteger aliados estratégicos.

Em suma, os últimos 100 anos de intervenções americanas deixaram um legado complexo de transformações políticas, traumas sociais e uma ordem de segurança global permanentemente em fluxo. O desafio para o futuro reside em equilibrar a influência geopolítica com a necessidade de soluções diplomáticas que evitem novos ciclos de violência prolongada.

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