Para uma mulher de 60 anos recém-viúva, Lídice tinha seus encantos. Apesar de olhos sempre vermelhos e da cara inchada, pois chorava muito. Assim que o Sol se punha, seu coração doía, parecia partir-se dentro de seu peito, e começava a chorar. O vizinho de apartamento, suas janelas ficavam em linha reta, a observava com pena e até enciumado do amor entre o falecido e a vizinha. Ele passou a pensar nela como “a dama das lágrimas”.
Os meses foram passando, os choros diminuíram, e Lídice passou a banhar-se sempre à mesma hora, aproximadamente às 20 horas. O vizinho escutava o cair da água do chuveiro, imaginava o líquido escorrendo, quentinho, pelo corpo da bela mulher. Ouvia o que pareciam gemidos, seu sangue fervia imaginando coisinhas e se perguntava, “Será que ela faz?”
Depois do banho, ele a via em frente ao espelho enrolada em uma grande toalha branca.
Até que um dia ela percebeu que estava sendo observada. Ele tratou de esconder-se, pois não queria perder a fonte que fazia seu sangue ferver, e que o trazia mais cedo do trabalho para observá-la.
Mas Lídice deu um sorriso malicioso e deixou a toalha cair, exibindo-se despida, mostrando os seios bronzeados e um corpo escultural; suas coxas brilhavam com as gotas de água.
Diante da janela aberta, o vizinho começou a tocar-se furiosamente, sob o olhar cúmplice da dama das lágrimas.
