O Ceará assistiu a um verdadeiro show de horrores na política local. Em visita ao estado, Sergio Moro subiu ao palanque para atacar Ciro Gomes e manifestar apoio ao senador Eduardo Girão. Em tom provocativo, Girão tentou alfinetar Ciro ao afirmar que a aproximação de algumas lideranças da direita com o ex-ministro não representa qualquer “movimento ideológico”. Segundo ele, essas articulações estariam motivadas por interesses “pessoais”, “familiares” ou simplesmente pela disputa de poder.
Pré-candidato ao governo do Ceará, Girão tratou de apresentar sua própria candidatura como a única que realmente representaria os “valores” da direita no estado. O discurso, recheado de acusações e insinuações, foi recebido com entusiasmo por Moro, que assistiu e aplaudiu à fala do aliado. O episódio expôs mais uma vez como o debate político tem sido conduzido muito mais no terreno das provocações do que no da apresentação de propostas concretas.
No fundo, toda essa movimentação tem um pano de fundo bastante claro: a aliança firmada por Ciro Gomes com Flávio Bolsonaro no Ceará. A aproximação embaralhou o tabuleiro político e irritou setores da própria direita. Michelle Bolsonaro, por exemplo, já declarou publicamente sua preferência por Eduardo Girão. Ao que parece, no Ceará as disputas não são apenas eleitorais, mas também passam por vaidades, ciúmes e rivalidades dentro do próprio campo conservador.
