Nesta semana a Anvisa autorizou o início da primeira fase de estudos clínicos com humanos da polilaminina, um medicamento desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para o tratamento de lesões na medula espinhal.
Essa primeira etapa é fundamental. É nela que se avalia a segurança da substância, seus possíveis efeitos colaterais, reações adversas e eventuais danos aos usuários. Ainda há um caminho a ser percorrido: outras duas fases de estudos estão previstas e serão responsáveis por verificar, de forma rigorosa, se a medicação é de fato eficaz. A ciência exige tempo, método e cautela e isso precisa ser respeitado.
Ainda assim, não há como negar: trata-se de uma medicação promissora. Para milhares de brasileiros e brasileiras que convivem diariamente com lesões na medula, a polilaminina representa mais do que um avanço científico; ela simboliza esperança, possibilidade de futuro, qualidade de vida.
Também me emociona e me inspira saber que essa conquista é resultado de quase 30 anos de pesquisa conduzidos pela Dra. Tatiana Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ. Ver uma mulher cientista alcançar êxito depois de décadas de dedicação silenciosa, persistente e muitas vezes invisibilizada, é profundamente significativo.
Que essa história sirva de incentivo para que mais meninas e mulheres se reconheçam na ciência, na pesquisa e na produção de conhecimento. E que sirva também como lembrete poderoso da importância das universidades públicas brasileiras, que, apesar das dificuldades, seguem entregando ao país inovação, esperança e soluções reais para problemas complexos.
