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A farsa do bolsonarismo “gourmet”

Ciro Nogueira já declarou diversas vezes que Flávio Bolsonaro seria uma figura “moderada” dentro do campo bolsonarista. Ele não está sozinho nessa avaliação; outros aliados e observadores também tentam sustentar essa narrativa, como se existisse uma versão mais palatável do movimento político criado em torno de Jair Bolsonaro. A ideia de um “bolsonarismo moderado” surge justamente como tentativa de reposicionar esse campo político, torná-lo mais aceitável ao eleitorado e reduzir o desgaste provocado por anos de radicalização.

O chamado bolsonarismo moderado parece muito mais uma estratégia de marketing político do que uma realidade concreta. Na prática, o discurso continua essencialmente o mesmo: hostilidade a minorias, desprezo por direitos sociais, ataques frequentes às instituições democráticas e uma visão autoritária de sociedade. A diferença, muitas vezes, está apenas no tom, um pouco mais calculado, um pouco mais cuidadoso, mas raramente no conteúdo.

Flávio, apontado como representante desse tal “bolsonarismo moderado”, ilustra bem essa contradição. Trata-se daquele bolsonarismo que diz praticamente as mesmas coisas que o bolsonarismo raiz: que despreza negros, pobres, LGBT e mulheres, que flerta com ideias autoritárias e até com nostalgias perigosas do passado. A única diferença, talvez, seja de estilo: não derruba farofa na própria roupa na hora do almoço. Mas, no fundo, continua sendo o mesmo prato servido com um pouco mais de etiqueta.

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