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A habilidade de estar em cima do muro

Na política, rompimentos raramente são definitivos e o recente vaivém entre Gilberto Kassab e Tarcísio de Freitas é um bom exemplo disso. Depois de uma saída abrupta do governo paulista, que soou como um gesto de ruptura, o que se viu foi mais um capítulo de tensão do que um divórcio consumado. Em Brasília e nos estados, relações políticas são menos sobre afinidade e mais sobre conveniência. E conveniências mudam.

O reencontro de tom mais ameno, sinalizado durante jantar do Esfera Brasil, revela justamente isso: ninguém quer fechar portas antes da hora. Kassab, com a habilidade de sempre, tratou de reafirmar o apoio do PSD à reeleição de Tarcísio, mesmo mantendo diálogo aberto com Fernando Haddad. Para quem observa de fora, pode parecer contradição. Para quem conhece o jogo, é estratégia. Manter um pé em cada campo é, muitas vezes, a melhor forma de sobreviver politicamente.

Essa dança entre afastamento e reaproximação diz menos sobre conflitos pessoais e mais sobre cálculo eleitoral. Kassab nunca foi um político de movimentos impulsivos, e Tarcísio, ainda consolidando seu espaço nacional, também sabe que não pode prescindir de alianças amplas. O episódio reforça uma velha máxima: na política brasileira, não existem rompimentos irreversíveis, apenas pausas táticas até que os interesses voltem a convergir.

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