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A maratona eleitoral de Moro começa pelo fim

Sérgio Moro começa a aprender uma lição elementar da política: pesquisa não elege ninguém. Liderar intenções de voto é confortável no papel, mas eleição se ganha com articulação, base, alianças e trânsito entre aqueles que operam o jogo político no dia a dia. E é justamente aí que o ex-juiz patina. No Paraná, onde pretende governar, Moro não construiu pontes, ao contrário, acumulou desconfianças. O capital simbólico da Lava Jato, que um dia lhe rendeu popularidade, não se converteu em capital político real.

Isolado, restou a Moro buscar abrigo no PL, o partido mais radicalizado do espectro político atual. Uma escolha que parece menos estratégica e mais desesperada. Afinal, trata-se do mesmo ambiente onde figuras que ele próprio já criticou transitam com desenvoltura. Ainda assim, nem esse movimento garantiu acolhimento. Pelo contrário: o que se vê é resistência interna crescente, como demonstram os mais de 50 prefeitos e mais de 80 vice-prefeitos que já sinalizam debandada para apoiar Ratinho Jr.

Moro não conseguiu nem mesmo se viabilizar dentro do próprio campo que escolheu. O favoritismo nas pesquisas pode se revelar uma miragem. Sem apoio consistente da classe política, sem capilaridade nos municípios e enfrentando rejeição dentro do próprio partido, Moro corre o risco de repetir o destino de tantos outros candidatos que lideraram cedo e perderam no fim. Como dizem, eleição não é corrida de cem metros, é maratona. E Moro parece estar perdendo o fôlego já no primeiro quilômetro.

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