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A metamorfose que vibra no Residencial Paço Línea

No vão de entrada do Paço Línea Mall & Residence, havia, na tarde de quinta, 26, uma espécie de silêncio que não era ausência de som. Lembrava uma pausa do mundo, como se a pressa tivesse ficado do lado de fora, barrada pelas portas de vidro.

Águas Claras, com seus edifícios erguidos em sucessivas camadas de concreto e ambição, costuma respirar rápido. Mas ali, entre as paredes com pastilhas em amarelos já levemente cansados e vermelhos que ainda resistiam vivos, o tempo se permitiu um tropeço. E nesse tropeço, a vida, costumeiramente teimosa, quase insolente, encontrava frestas.

De um lado, a lagarta. Pequena, quase invisível aos olhos distraídos, ela escalava a vertical impossível da parede como quem desconhece a palavra limite. Não havia plateia, não havia aplauso, tampouco garantia de chegada. Apenas o gesto contínuo, lento, paciente, definitivo. Cada milímetro conquistado parecia conter uma decisão silenciosa de subir, de seguir em frente.

Talvez buscasse um canto qualquer, uma dobra esquecida da arquitetura, onde pudesse se recolher para o milagre. Porque toda transformação exige recolhimento, exige um certo desaparecimento do mundo antes do retorno. E a metamorfose não espera.

Do outro lado, como se o tempo tivesse se adiantado alguns dias, a resposta já existia. Era a borboleta. Pousada no vidro, delicada como uma ideia recém-nascida, ela carregava nas asas a prova de que o improvável não apenas acontece, mas insiste. Ali, onde a cidade se reflete em linhas retas e frias, a borboleta encontrou um desvio. Um erro bonito na lógica urbana. Um sopro sobre a transparência impessoal.

Entre uma e outra — a que rasteja e a que voa —, havia um intervalo invisível. Um segredo guardado na paciência. Lá fora, o céu se fechava em cinza espesso, como se o dia recolhesse suas promessas. As nuvens, carregadas, anunciavam a tempestade com a solenidade dos avisos inevitáveis. O vento começava a desenhar pressa nas folhas dispersas, e a cidade retomava seu ritmo ansioso, como quem se prepara para resistir.

Mas, naquele vão, a resistência já estava em curso. Não nas grandes estruturas, não nos planos grandiosos, mas no gesto mínimo, no avanço quase imperceptível da lagarta, na leveza improvável da borboleta. A tempestade viria, como sempre vem. Mas a vida, essa antiga teimosa, chegou antes.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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