Eu te busquei nos corredores do tempo,
em limiares de névoa e claridade,
nas margens do indizível e no rumor das auroras,
num ir e vir incansável… e não te encontrei.
Diziam que eras miragem,
mas minha busca contrariava o vazio dos ecos.
Mesmo sem tua chegada se anunciar, eu esperei,
porque sentia teu perfume nos ventos antigos,
ouvia teu timbre nas constelações,
imaginava tua presença no sopro que cria o mundo.
Enquanto erguia minha história com gestos íntegros,
preparei meu coração como um templo de luz,
para que, ao te encontrar, não houvesse surpresa,
apenas entrega — o melhor de mim, lapidado em silêncio,
o amor que despertou quando a distância sussurrou teu nome.
Eu não desisti, embora a frustração me visitasse,
meus sonhos eram bússolas de ouro,
meu peito, estrela polar — firme, não iludido… até que…
Tu surgiste como amanhecer sobre mar imóvel,
a verdade abriu pétalas no centro da noite,
a busca se fez cristal,
e ali, naquele instante, conheci a plenitude.
De súbito tudo tinha gosto de mel,
nenhuma tormenta me vergava,
nem ventos, nem marés contrárias.
Os descrentes se calaram, diante do milagre simples
da fé que não se deixa dobrar.
Tu estavas aqui, inteiro,
e agradeci à vida por permitir o encontro.
Ver-te exigiu paciência e coragem,
resistir ao rumor das vozes,
e ainda assim seguir.
Eu te amo além do verbo,
amo em gestos e candura,
mesmo se o caminho afinar como fio sobre o abismo.
Tu és meu lar, meu abrigo, meu teto de estrelas,
a casa onde a alma descansa e recomeça.
