O episódio que inspirou o conto aconteceu mesmo. Foi contado por uma amiga. Cosadiloko!
Josefa, uma catarinense de 70 anos, viúva, estava matando cachorro a grito. Vivia num atraso de dar pena, tocava-se religiosamente, todos os dias, mas sentia falta de um macho. A rigor, podia ser um idoso com uma ereção meia bomba, desde que a envolvesse nos braços e a tratasse como uma rainha. Era algo indispensável, ser chamada de “minha rainha”. Na cama, é claro, o tratamento seria outro, mas antes, o tratamento majestático era essencial.
Os filhos ouviam os uivos contra os pobres cachorrinhos e estavam divididos. O primogênito avisou à progenitora que mataria o primeiro filho de uma égua que ousasse tocar o corpinho quase virgem da mãe. E se o corno falasse em casar, em dar o golpe do baú, aí é que morria mesmo. A filha, mais sábia (mulher é sempre mais sábia), dizia sempre:
– Vai em frente, mãezinha, você ainda é jovem, merece ser feliz. Arranja um namorado, faz com ele todas as coisinhas que fazia com papai e mais algumas!
Josefa a repreendia, dizia que era um absurdo uma filha falar essas coisas para a mãe, mas estava mais que disposta a seguir o conselho.
Certo dia, a assassina potencial de cachorros estava almoçando com a filha num restaurante em Floripa. Na mesa ao lado estava uma jovem, num vestido branco de com flores azuis. De repete, a garota dirigiu-se a Josefa:
– Moça, a senhora gosta de água tônica?
– Sim, só tomo água tônica – respondeu intrigada.
– Eu também gosto, meu avô adora, ele é sua alma gêmea!
Aproximou-se e falou baixinho:
– Pode acreditar, moça, ele é sua alma gêmea, está à sua procura. Me passa seu número de celular, ele vai ligar.
Aturdida, ela obedeceu. A menina despediu-se logo em seguida.
Quando estavam sozinhas, Josefa e a filha comentaram o ocorrido.
– Não acredito em almas gêmeas, mãe, mas se ele for um homem interessante, dá pra ele. Faz tempo que a senhora não transa, não é mesmo? – e deu um risinho cúmplice. – Só não deixa meu irmão saber!
Horas depois, um homem ligou e apresentou-se como o avô da menina. Deu o nome de Roberto. O papo engatou. Josefa gostou da voz dele – também, na penúria sexual em que vivia, o cara podia ser gago e fanho que ela encarava –, combinaram jantar na casa dela na noite seguinte, às 20 horas. Passou o endereço e trocaram tórridos beijos virtuais.
Mais tarde contou à filha sobre o encontro e sugeriu, timidamente, que ela estivesse presente.
– Não, mãe, não vou empatar. Mas só faz o que você tiver vontade.
Roberto chegou com 5 minutos de antecedência. Era um velho distinto, de uns 77 anos. No meio da conversa, ela informou, corando como uma adolescente, que adorava ser chamada de “minha rainha”; solícito, ele passou a tratá-la assim. Foi o bastante para Josefa saltar sobre o idoso, beijando-o com sofreguidão. Cinco minutos depois estavam nus. O amiguinho dele não ficava duro de todo mas a língua era infatigável. Ela teve orgasmos até desmaiar.
Depois de se recuperarem e se vestirem, ela abriu uma lata de água tônica, derramou o líquido em dois copos, entregou um a ele e propôs um brinde:
– Ao nosso amor, minha alma gêmea!
Ele não brindou.
– Água tônica de latinha?! Em copo comum? Heresia, tem de ser de garrafa e servida em taças de cristal! Pena, Josefa, me enganei, você não é minha alma gêmea.
E foi embora, deixando-a mortificada – por ter perdido um macho e, em especial, o tratamento de “minha rainha”.
A garota o esperava quando ele chegou em casa. Contou o ocorrido, entre gargalhadas.
– E se ela abrisse uma garrafa e servisse em taças de champanhe? – provocou a garota.
-Eu exigia de latinha, em copo comum ou até de canudinho. Ia ser estranho, mas e daí?! – e deu uma risada escrachada.
Em seguida, a menina perguntou:
– Vai precisar de mim hoje?
A voz era jovial, mas os olhos eram frios, experientes e calculistas.
– Hoje não, já gozei bastante. Mas vou dar seu dinheiro da mesma maneira.
Abriu a carteira, entregou 200 reais à cafetina em miniatura e comentou:
– Rainha… Só se for rainha do oral, ela faz que é uma beleza!
