Notibras

Aiatolá do Iraque pede que mundo muçulmano xiita defenda Teerã

O Grande Aiatolá Ali al-Sistani, principal referência religiosa para milhões de xiitas no Iraque e em várias regiões do mundo islâmico, elevou o tom nesta quarta-feira ao defender que o universo muçulmano não permaneça indiferente diante da guerra que envolve o Irã. Ao enviar mensagem ao novo Líder Supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, sucessor de Ali Khamenei, morto no início do conflito com Estados Unidos e Israel, Al-Sistani desejou êxito na preservação da unidade nacional iraniana, mas sua mensagem foi lida em círculos diplomáticos como um chamado indireto para que nações islâmicas se posicionem em defesa de Teerã.

Dias antes, o aiatolá já havia condenado publicamente o que classificou como “guerra injusta”, conclamando todos os muçulmanos a denunciarem a escalada militar e a pressionarem por uma solução imediata para a crise nuclear iraniana. O peso político de sua fala ultrapassa o ambiente religioso: embora não ocupe cargo oficial, Al-Sistani continua sendo um dos poucos líderes espirituais capazes de influenciar governos, milícias e movimentos xiitas em várias frentes do Oriente Médio.

No campo das possíveis respostas ao apelo, observadores apontam que países como Iraque, Líbano e Síria aparecem como os mais sensíveis à mobilização, sobretudo pela presença de forças xiitas alinhadas a Teerã. Também Paquistão poderia sofrer pressão interna de setores religiosos para adotar discurso mais duro, embora mantenha cautela diplomática.

No Golfo, a situação é mais delicada. Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos dificilmente entrariam em alinhamento direto com Teerã, mas podem defender publicamente cessar-fogo para evitar que a guerra se espalhe pela região. Já Turquia mantém posição estratégica ambígua: rivaliza com o Irã em algumas frentes, mas rejeita abertamente uma desestabilização regional provocada por conflito prolongado.

A posição de Al-Sistani, contudo, carrega uma complexidade histórica. Formado na tradição teológica de Najaf, ele sempre defendeu que o clero deva orientar moralmente a sociedade sem governar diretamente — visão oposta ao modelo iraniano do velayat-e faqih, idealizado por Ruhollah Khomeini, no qual a autoridade religiosa domina o poder político. Essa diferença explica por que, mesmo solidarizando-se com o Irã em momento de guerra, Al-Sistani continua olhando com reserva para a influência de Teerã sobre a política iraquiana.

Ainda assim, no atual cenário, sua fala representa um dos sinais mais claros de que parte importante do mundo xiita entende que o conflito ultrapassou as fronteiras iranianas e passou a ser percebido como disputa de poder sobre todo o equilíbrio islâmico regional.

Sair da versão mobile