Notibras

Antúrios vermelhos e banhos de mangueira

Era um típico dia de verão.

Temperatura amena de manhã, brisa do mar.

Cheguei mais cedo, um alívio não pegar trânsito na SC sempre congestionada pelo número de carros da Ilha, somada a obra interminável de meses a fio…

Me acomodei em um dos bancos de madeira, próximo aos antúrios vermelhos. Minha avó adorava antúrios vermelhos.

Resolvi dar uma olhada no celular. Estava com algumas pendências para processar.

Fui imediatamente retirada da minha concentração… um pouco mais a frente, crianças pequenas, alegres, com baldes na mão em uma quadra e a professora com a mangueira a encher baldes e “regar” crianças… sorri.

Fui voltando no tempo, há o tempo…

Recordei quando a neta galega era bem pequena, no seu primeiro aniversário em pleno verão, nos divertimos; vó e netos a encher bexigas e colocar em enorme bacia, foi uma das diversões dos pequenos, voltei mais um pouco, com meus filhos pequenos no clube com muita área verde, correndo descalços, mergulhando na piscina e fui mais longe ainda, com minhas primas e nosso banho de mangueira, na piscina da casa delas, dos banhos de chuva, aonde não se falava em raios, em chuva ácida, em doenças vindas com as águas, lembrei da bicicleta que ganhamos em um Natal, era uma para nós três, lembro de ralar a parede lateral ao tirar as rodinhas e depois pedalar na rua escondido do meu pai, mas, com permissão de minha mãe, da descida da Rua São Borja, que nem sei se é tão ladeira assim, do coração disparar, o vento batendo no rosto, a descida de carrinho de rolimã, dos tombos, joelhos e cotovelos arranhados, do teatro com minha avó no comando, após o jantar ou de quando fui operar as amígdalas e fui de olhos fechados mas, bem acordada para o centro cirúrgico e ao ser trocada de uma cama para outra uma enfermeira dizer: “ela está acordada” e só acordar no quarto ao som do bem-te-vi e minha mãe na cabeceira, foi muito bom ser criança.

O tempo, que tempo… o amanhã, o mês que vem… teve uma época não tinha peso, não fazia sentido. Como é bom e divertido ser criança… longe do mundo chato e metódico dos adultos.

Voltei para o agora, era hora de escadas ou elevador subir para minha aula e seguir no momento presente.

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