Carrego comigo muitas histórias, na minha família até mesmo os momentos difíceis se tornam lições ou motivo de risadas futuras.
E, enquanto tomava uma cerveja nessa manhã de trinta e um de dezembro, eu e meus irmãos contávamos nossas histórias, relembrávamos algumas antigas, construindo nossa virada alegre. O que me fez lembrar de um réveillon que eu não participei, mas que nunca esqueci pela forma que minha avó contou.
Um dos meus primos, morador do Rio de Janeiro, filho de evangélicos, se metera nas diversões da virada. Sua mãe falou, aconselhou, brigou e ele não obedeceu. Lá se foi comemorar a virada com amigos e fogos na rua de casa.
A alegria contagiou a todos, fogos de artifício inundaram a noite, o ano virou. Meu primo se encanta, contagiado pela alegria da virada, decide soltar alguns fogos. O primeiro explode no céu refletindo a alegria da entrada de mais um ano, o segundo, terceiro, quarto, mas um deles masca, cai no chão sem explodir.
Sem se preocupar com os conselhos de sua mãe, meu primo pega o foguete para acender novamente. O foguete explode em sua mão.
Correria em busca de hospital. Eu não presenciei essa cena, ouvi toda a história da boca de minha avó materna que passara o réveillon no Rio. Ela detalha tudo com seriedade:
— Os amigos correram com ele para o hospital, o médico atendeu às pressas e perguntou:
— Ninguém pegou o dedo? Corre lá, dá tempo para tentar implantar.
— Então, doutor, nós tentamos, mas na hora em que o dedo caiu, tinha um cachorrinho perto, bocou e comeu.
Fiquei em silêncio olhando para minha avó. Ela riu, riu com seu jeitinho meigo, engraçado e bem-humorado. Não resisti, ri muito.
Eu era adolescente, hoje eu e meu primo já passamos da meia idade, minha avó já partiu, mas nos deixou o bom-humor e as lembranças
Feliz 2026 e boas histórias a todas.
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“Apaixonada pela vida em todas as suas formas! Mãe, avó, artesã do crochê e escritora por vocação. Encontro inspiração na natureza e tranquilidade nas trilhas da montanha. Palavras e linhas são minhas ferramentas para criar e compartilhar amor.”
Autora de três livros publicados, colunista e integrante de uma comunidade literária.
