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As lacunas propositais deixadas pelo relator Guilherme Derrite

O deputado Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança do governo Tarcísio de Freitas, alterou na Câmara o projeto Antifacção para suavizar os pontos que atingiam o coração financeiro do crime organizado: a sonegação e a lavagem de dinheiro. O discurso linha dura da extrema direita pode até soar implacável nos palanques, mas o texto modificado revela o contrário.

Derrite retirou do projeto os mecanismos que apertavam a fiscalização sobre a máfia dos combustíveis, que funciona como verdadeiro motor financeiro das facções. Enquanto a propaganda se concentra em operações ostensivas e imagens de confronto nas periferias, o combate estrutural ao fluxo de dinheiro ilícito é enfraquecido. É uma contradição evidente: endurecem o discurso nas ruas, mas aliviam o controle sobre os grandes esquemas que sustentam o crime organizado.

Derrite também excluiu do projeto a taxação das bets, medida que poderia gerar recursos para financiar a segurança pública.

Em resumo, a proposta da extrema direita é proteger o lucro das casas de apostas e deixar o Estado com menos instrumentos para enfrentar o crime.

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