Se fosse possível escrever uma teoria social sobre as mulheres a partir de uma única palavra, talvez essa palavra fosse: recomeço.
Mulheres recomeçam depois de relacionamentos, depois de violências, depois de perdas financeiras, depois de mudanças de cidade, depois de maternidades inesperadas, depois de sonhos interrompidos. Existe uma pedagogia do recomeço que atravessa a experiência feminina.
Eva Illouz analisa como as emoções e os relacionamentos fazem parte das estruturas sociais, e não apenas da vida privada. Sofrer, amar, separar, reconstruir a vida tudo isso também é fenômeno social. Mulheres, historicamente, foram socializadas para reconstruir vínculos, reorganizar famílias e manter a vida cotidiana funcionando mesmo depois de rupturas profundas.
Talvez por isso muitas mulheres desenvolvam uma capacidade impressionante de reorganizar a própria vida. Não porque sejam naturalmente mais fortes, mas porque a história social as obrigou a aprender a reconstruir continuamente.
Recomeçar, para muitas mulheres, não é escolha. É método de sobrevivência.
