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As profecias que voltam a assombrar o mundo

Séculos depois de ter escrito versos obscuros em sua obra Les Prophéties, o nome de Nostradamus reaparece sempre que o planeta parece caminhar sobre fios de pólvora. Foi assim nas grandes guerras do século XX, nos atentados globais do século XXI e volta a ser agora, quando o Oriente Médio revive noites de fogo, ameaças cruzadas e o temor de que uma crise regional ultrapasse fronteiras e arraste potências para um confronto de dimensões imprevisíveis.

Nas quadras escritas no século XVI, Nostradamus nunca mencionou diretamente Iran, Israel ou qualquer configuração geopolítica moderna. Ainda assim, expressões como “grande fogo vindo do Oriente”, “céus ardendo sobre cidades antigas” e “reis do leste em marcha” alimentam, geração após geração, interpretações que enxergam nas tensões atuais um eco das advertências do velho profeta de Provence. Seus versos, deliberadamente ambíguos, permitem que cada época encontre neles seus próprios fantasmas.

Hoje, com mísseis cruzando céus históricos, rotas marítimas ameaçadas e o risco de bloqueio em corredores estratégicos como o Golfo Pérsico, analistas e curiosos voltam às páginas antigas como quem procura, em símbolos, alguma ordem para o caos contemporâneo. A hipótese de uma escalada envolvendo também Estados Unidos, Rússia e China reforça esse imaginário, sobretudo porque muitas leituras modernas atribuem a Nostradamus a visão de uma guerra longa, alimentada por alianças quebradas, disputas energéticas e choques de civilizações.

Entre as quadras mais evocadas está a que fala de um tempo em que “a terra seca se tornará ainda mais árida” e em que “grandes águas virão depois do fogo”, texto frequentemente associado a colapsos climáticos, crises humanitárias e deslocamentos em massa. Não faltam intérpretes que enxergam nisso uma metáfora para a combinação explosiva entre guerra, petróleo caro, inflação global e desordem social — um cenário em que o conflito deixa de ser apenas militar e passa a contaminar economias, governos e sociedades inteiras.

Mas a leitura histórica impõe prudência. Especialistas lembram que as profecias de Nostradamus já foram aplicadas, depois dos fatos, a quase todos os grandes abalos da humanidade: da II Guerra Mundial aos atentados de setembro às Torres Gêmeas, passando por epidemias recentes como a COVID-19. O poder de seus textos talvez esteja justamente nisso: mais do que prever datas, eles capturam medos permanentes da condição humana.

No fundo, o que assombra não é apenas a possibilidade de uma terceira guerra mundial, mas o reencontro do homem moderno com antigos símbolos de fim de ciclo. Quando o Oriente volta a arder, Jerusalém reaparece no centro do noticiário e o petróleo ameaça redesenhar a economia global, renasce também a velha pergunta que atravessa séculos: estamos diante de mais uma crise passageira da História ou de uma ruptura maior, dessas que mudam o curso das civilizações?

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