Talvez eu perca o jogo.
Talvez eu apenas sofra um pouco mais e ainda assim consiga vencer.
É a vida, um dia eu venço, no outro me dou por vencida.
Parece honestidade, não há brincadeiras, mas o conheço muito bem para saber que tudo que ele faz ou diz é um jogo.
Devo me arriscar?
A sombra fresca e convidativa me acolhe, abro um vinho e silencio por alguns instantes meus pensamentos, quero apenas minha companhia.
Leio, ouço músicas e por fim apenas o som do mar e meu coração.
“Você conhece as peças.”
Sem conclusão e sem respostas sigo meu caminho de volta.
Uma cena me faz parar.
Duas belíssimas senhorinhas, enrugadas, biquinis coloridos fazem castelos de areia próximo as ondas, de longe observo a cena encantada, gosto de ver idosos vivendo a vida.
Uma frase surge em minha mente e me faz sorri.
“Não tenho medo de morrer, tenho medo de não viver.”
Viro-me em direção a trilha de saída da praia desviando-me das senhoras.
Ouço gritos, uma briga.
Me viro em direção a elas e me deparo com uma cena hilária.
As duas brigam como se fossem crianças, não sei o que aconteceu, quem começou o que, mas uma desmancha o castelo de areia da outra enquanto gritam bravas, não parecem mais senhoras de uns setenta e oito anos e sim duas crianças de quatro anos.
Assim como as perguntas perdidas anteriormente em minha cabeça, a cena.
Qual a razão daquela discussão, quanta infantilidade, é só um castelo de areia…
Em meio a briga uma delas começa a rir, a outra permanece brava por segundos e por fim segue as gargalhadas, as duas desmancham o que sobra do castelo de areia acompanhadas de risos enquanto se jogam na areia úmida.
Tentando ser discreta, a essa altura estou sentada nos meus chinelos.
Depois de literalmente rolarem na areia, as duas se levantam, seguem até a parte rasa, se banham, uma ajuda a outra a retirar a areia da parte mais alta das costas e seguem lado a lado como se nada tivesse acontecido.
Eu as observo até que desapareçam na orla.
A curiosidade…
O que foi aquela briga? Uma simples risada resolveu? Esqueceram que são duas velhas?
Rio.
Me levanto, não basta minhas dúvidas confusas e sem respostas, a vida me oferta uma cena inacreditável, confusa e sem resposta.
Talvez seja isso, nem sempre preciso ganhar, apenas compreender o jogo, participar e seguir vivendo, é só a vida, que nem
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“Apaixonada pela vida em todas as suas formas! Mãe, avó, artesã do crochê e escritora por vocação. Encontro inspiração na natureza e tranquilidade nas trilhas da montanha. Palavras e linhas são minhas ferramentas para criar e compartilhar amor.”
Autora de três livros publicados, colunista e integrante de uma comunidade literária.
Atualmente reside em Cachoeiro de Itapemirim-ES.
