A família de Rodrigo Castanheira, adolescente de 16 anos morto após ser agredido em Vicente Pires, convocou uma caminhada por justiça para a manhã deste sábado, 29 de março, no Distrito Federal. Segundo a nota divulgada pelo advogado Albert Halex, a mobilização começará às 9h, em frente à Torre de TV, e seguirá até a sede do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O objetivo do ato é pressionar por uma investigação mais ampla sobre a participação de outras pessoas que estavam com Pedro Arthur Turra Basso no momento da confusão.
Na nota, a família afirma que quer uma “investigação completa” sobre todos os integrantes do veículo que acompanhavam Turra. O pedido vai além da responsabilização do ex-piloto, hoje réu no caso, e tenta ampliar o foco da apuração para os demais ocupantes do carro. Segundo o advogado da família, já houve solicitação formal para que essas pessoas também sejam alvo de investigação criminal.
A cobrança não é nova. Em entrevista no fim de fevereiro, Albert Halex afirmou que a família vê indícios de premeditação e sustenta que havia cinco pessoas no veículo envolvido no episódio. Essa tese, porém, é uma alegação da família e ainda depende de eventual confirmação no curso das investigações. Até aqui, o caso criminal em andamento tem como réu principal Pedro Turra.
Relembre o caso
Segundo a denúncia do MPDFT, Pedro Turra agiu de forma “livre e consciente” ao descer do carro e agredir Rodrigo na saída de uma festa, em Vicente Pires, na noite de 22 de janeiro. O Ministério Público sustenta que o rapaz deu socos no adolescente, que caiu desacordado após o ataque. A denúncia foi recebida pela 1ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Águas Claras, que tornou Turra réu por homicídio doloso qualificado por motivo fútil.
Rodrigo ficou 16 dias internado e morreu em 7 de fevereiro. Mais tarde, um laudo médico-pericial citado pela CNN Brasil concluiu que a morte ocorreu em decorrência direta das agressões, apontando que os golpes provocaram fratura e sangramento intracraniano. O documento reforçou a linha adotada pela acusação de que a causa do desfecho fatal foi o espancamento.
A cronologia do caso ganhou repercussão nacional desde os primeiros dias. Inicialmente, parte da cobertura mencionou que a briga teria começado após uma provocação com um chiclete, versão que a família contesta. Os parentes de Rodrigo sustentam que o episódio não foi casual e cobram que a investigação alcance toda a dinâmica da ação, inclusive a conduta de quem filmou ou acompanhou a confusão.
Ao convocar a caminhada, a família tenta transformar a comoção em pressão pública por respostas. O ato deste sábado deve reunir parentes, amigos e apoiadores em frente ao MPDFT, em uma tentativa de manter o caso no centro do debate e de ampliar a cobrança por responsabilização. Para os organizadores, a presença popular pode ajudar a reforçar o pedido de que a apuração não se encerre apenas no réu já denunciado.
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Texto publicado originalmente no site Obrasiliense.com.br
