Há momentos em que o inesperado produz efeitos surpreendentemente positivos. A decisão do governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto de Castro, de suspender imediatamente novos contratos e determinar uma auditoria ampla em todos os gastos do estado é um desses casos. Ao impor um prazo de 15 dias úteis para que secretarias, estatais e autarquias detalhem despesas e contratos vigentes, o desembargador estabelece um freio de arrumação em uma máquina pública historicamente marcada por descontrole.
Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal segue sem definir se as eleições no Rio serão diretas ou indiretas. A demora, que em outros contextos poderia ser vista como um problema institucional grave, neste caso parece ter produzido um curioso efeito colateral: a ausência de pressa. Sem a pressão imediata de um calendário eleitoral, o governo interino ganha espaço para tomar decisões técnicas, menos contaminadas por cálculos políticos de curto prazo. É como se, por um breve intervalo, a gestão pública tivesse sido devolvida ao seu propósito mais básico: organizar a casa.
Talvez por isso o Rio de Janeiro esteja experimentando uma sensação incomum de estabilidade. Mas a ironia é evidente: em meio à indefinição política, emerge uma gestão que transmite sobriedade e controle. Resta saber se essa pausa, esse respiro institucional, será apenas um parêntese ou o início de uma nova expectativa sobre como o poder público deve, de fato, funcionar.
