Notibras

Aurora de cristal

Na alvorada envolta em véus de bruma,
descobri que cada encontro é também um adeus disfarçado.
Os instantes que vivi ao teu lado foram como joias raras,
lapidadas pelo tempo e guardadas no relicário da memória.

Desde tua chegada, o relógio parecia correr em asas de vento,
como se o universo conspirasse para encurtar nossos dias.
Faltaram gestos, sobraram silêncios,
mas nunca faltou a essência que nos uniu.

Teus olhos eram oceanos onde mergulhei sem medo,
teu abraço, um templo onde o mundo se calava.
Cada toque era uma constelação acesa,
cada sorriso, um sol que iluminava minha alma.

Estar contigo foi como habitar um sonho tangível,
um horizonte que se deixava alcançar pelas mãos.
E ao ver tua imagem dissolver-se na distância,
senti que parte de mim se desfazia em cristais de saudade.

Agora, a ausência veste meu corpo como um manto,
e a saudade retorna ao seu trono antigo,
reinando sobre minha alma com ternura e dor.
Mas sei que o que vivemos não se apaga:
é poesia gravada no mármore do tempo.

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