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Avante e PRD afundam na escuridão do palco montado para outubro

TSE - Tribunal Superior Eleitoral Urna eletrônica

Baixar as cortinas e afundar na escuridão do palco. Esse o cenário político do Distrito Federal, vivendo a fase em que o barulho já não é de articulação, mas de portas batendo. Com o fechamento da janela partidária, o que se vê nos bastidores deixou de ser mera dança de cadeiras para virar corrida de emergência sem garantia de saída para todos.

No epicentro da turbulência, Avante e PRD (Partido da Renovação Democrática) enfrentam um colapso de regularidade que ameaça transformar candidaturas em natimortos eleitorais. O último que sair, verá um apelo na porta: apague a luz.

O que se observa nos meios políticos que o fantasma de 2018 voltou a circular pelos corredores da Câmara Legislativa, sussurrando um aviso que ninguém ignora. Mas a lição que Brasília finge esquecer está por toda parte.

Para entender o clima de pânico, basta olhar pelo retrovisor. Em 2018, o PTB/DF esteve a um passo de desaparecer do mapa antes mesmo de a campanha começar. Irregularidades partidárias e falhas na comprovação de filiações quase custaram a legenda inteira, barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral.

A salvação veio no apagar das luzes, com uma liminar do TSE. Mas o estrago já estava feito com candidaturas esvaziadas, estrutura fragilizada e um trauma que nunca foi totalmente superado. A máxima se consolidou nos bastidores, onde irregularidade partidária não se confunde com detalhe, mas vira sentença antecipada.

Hoje, Avante e PRD caminham sobre o mesmo fio. A suspensão de seus órgãos partidários, por falhas na prestação de contas, empurra as legendas para uma espécie de limbo eleitoral. Sem regularidade, não há registro de candidaturas, nem acesso a recursos dos fundos partidário e eleitoral.

O resultado é previsível, provocando uma debandada geral, com lideranças que enxergam o risco real de ficarem sem legenda começam a saltar do barco. Um movimento, aliás, que já não é discreto, mas é instintivo, com gente buscando fôlego para a sobrevivência política em estado bruto.

Montar uma nominata no Distrito Federal exige engenharia eleitoral. Com um quociente projetado na casa dos 70 mil votos para deputado distrital em 2026, qualquer erro de cálculo pode ser fatal. E em partidos fragilizados, a equação tende simplesmente a implodir, porque falta atratividade, com candidatos competitivos evitando siglas sob risco jurídico. Para piorar o quadro, na cláusula de desempenho o sarrafo sobe, e quem não alcançar o mínimo vira legenda decorativa. A tudo isso some-se a insegurança jurídica, onde ninguém investe tempo, voto ou dinheiro onde há risco de indeferimento.

O que sobra nessas legendas é uma estrutura oca cada vez mais difícil de sustentar. Para analistas políticos, persistir em siglas nessas condições deixou de ser estratégia e passou a ser teimosia com custo alto. Porque a política, como se sabe, não perdoa improvisos, muito menos desorganização administrativa.

Assim, o recado que ecoa nos bastidores é direto, quase brutal, indicando que quem pretende disputar de verdade precisa buscar abrigo em legendas organizadas, com contas em dia e previsibilidade jurídica. O tempo de hesitação acabou. Tudo porque, no ritmo em que as peças estão se movendo, não haverá espaço para indecisos. E quando as portas finalmente se fecharem, restará apenas o silêncio e a velha máxima de corredor de que é preciso acionar o botão para mostrar que a luz foi apagada.

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Carolina Paiva é Editora do Quadradinho em Foco

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