Notibras

Batom é preciso, mas viver não é preciso

Haverá maior símbolo de liberdade

Do que batom vermelho escrito na Justiça

Tirar, da estátua, a venda dos olhos, do espírito

E contra o verdadeiro golpe erguer a espada?

Condenada à prisão por toda a eternidade

Nada cessará o amor que disseminas no éter

A manifestação da vida, o batom, Débora!

Grilhão algum deterá a luz fluindo na galáxia

Batom é como pétalas de rosas rubras

Que nascem nos jardins até o fim do Universo

Deus perfumando o mundo com rubis azuis

Batom, mesmo que escrito no duro granito

Como pode ameaçar o Estado de direito

Se batom é preciso, viver não é preciso?

Este poema é uma homenagem à Débora Rodrigues dos Santos, condenada a 14 anos de prisão e a pagar 30 milhões de reais em multa, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). No dia 8 de janeiro de 2023, Débora escreveu na estátua A Justiça, de Alfredo Ceschiatti, instalada defronte ao palácio do STF, “Perdeu, mané”, repetindo o ex-ministro Roberto Barroso, então presidente da Corte. Débora, que está presa desde março de 2023, é casada, mãe de duas crianças, e mora em Paulínia/SP.

Até os cachorros que tomaram conta das calçadas bombardeadas de Brasília (são inauguradas e um mês depois começam a estourar), o golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 é uma narrativa tão fantasiosa, esdrúxula, que nem os mais delirantes roteiristas de Hollywood conseguiriam criar. Jair Messias Bolsonaro, o maior líder da Direita brasileira, foi acusado de comandar o golpe, embora nem no Brasil estivesse. Pegou 25 anos de cadeia.

Em 6 de setembro de 2018, mandaram matar Bolsonaro. O assassino escalado para o abate foi o militante Adélio Bispo de Oliveira, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), de extrema Esquerda. Durante um comício em Juiz de Fora/MG, Adélio aplicou uma facada em Bolsonaro, com um facão enferrujado, que quase atravessa o Mito no baixo ventre. Bolsonaro só sobreviveu porque é um verdadeiro búfalo, mas a facada fez estragos e o capitão adoeceu seriamente e está morrendo à míngua na cadeia, por falta de acompanhamento médico adequado, tortura acompanhada do sofá, pela televisão, por toda a população brasileira.

Como não houve golpe de Estado, as centenas de presos políticos têm de ser soltos imediatamente e o Estado os indenizar, ou a suas famílias, pois vários já morreram à mingua na prisão.

Quanto ao batom, a arma de Débora, é um cosmético que realça os lábios de uma mulher. Batom é do francês “bâton”, “bastão” em português. Trata-se do cosmético mais utilizado em todo o mundo. As mulheres sempre o utilizaram ao longo da História. Haverá algo mais bonito do que os lábios de uma mulher? Sim, lábios pintados de vermelho, como rosa colombiana.

Batom é Preciso, Viver não é Preciso é um soneto com versos alexandrinos, com cesura na sesta sílaba.

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