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Bebê some em hospital e família só descobre destino do corpo após 3 meses

Uma denúncia grave abala a confiança no sistema de saúde do Distrito Federal. Alyne Pereira, moradora de Ceilândia de 31 anos, acusa o Hospital Anchieta, em Taguatinga, pelo “sumiço” do corpo de sua filha recém-nascida por quase três meses. O caso, que veio à tona após investigações sobre mortes intencionais na unidade, revela um cenário de negligência e desespero familiar.

A tragédia começou em abril de 2023, quando Alyne, enfrentando uma gravidez de risco, foi internada após apresentar sangramentos. Segundo a mãe, houve insistentes pedidos por uma cesárea, negados reiteradamente pelo médico responsável, que teria afirmado que o parto deveria ocorrer pela “lei da natureza”. No dia 12 de maio, a criança nasceu, mas o desfecho foi marcado por contradições e incertezas.

Alyne relata ter visto a bebê respirando logo após o parto, mas foi informada pela equipe médica de que a criança havia nascido morta. Devido a complicações de uma infecção, a mãe foi levada às pressas para a UTI sem poder segurar a filha. Durante o período de internação, a família afirma que não recebeu informações claras sobre o paradeiro do corpo ou os procedimentos cabíveis.

Ao receber alta, o pesadelo se intensificou: o hospital negou a emissão da certidão de óbito e admitiu não saber a localização do corpo. “Falaram que tinha desaparecido”, desabafa Alyne, que viveu meses de angústia sem saber se a filha estava realmente morta ou se havia ocorrido algo pior. Diante do descaso, a família registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal.

Apenas três meses depois, a direção do hospital convocou a família para informar que o corpo havia sido localizado, justificando o ocorrido como uma “confusão administrativa”. O corpo da bebê foi então encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML), onde chegou acondicionado em um saco plástico com formol, o que impediu a perícia de determinar a causa exata da morte.

Para garantir a identidade da criança, o IML solicitou um exame de DNA, cujo resultado de compatibilidade genética de 99,99% só foi liberado em fevereiro de 2024. Mesmo com a prova em mãos, a liberação para o sepultamento exigiu novas batalhas judiciais, fazendo com que o enterro ocorresse apenas em maio de 2024, exatamente um ano após o nascimento da menina.

A defesa da família, representada pela advogada Lays Lopes, aponta falhas graves e negligência de toda a equipe hospitalar. Em agosto de 2024, foi protocolada uma ação de indenização por danos morais. Segundo a advogada, o hospital ainda não apresentou pedidos de desculpas ou propostas de acordo, e uma audiência de conciliação está agendada para abril de 2025.

Atualmente, o inquérito policial sobre o caso encontra-se arquivado pela 12ª Delegacia de Polícia. Para que as investigações criminais sejam retomadas, a família precisará solicitar a reabertura do procedimento junto ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Alyne reafirma que seguirá buscando justiça para entender o que realmente aconteceu no centro cirúrgico.

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