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Brasileiros em Portugal queriam direita; deu Seguro para o bem geral do povo

Neste domingo, 8, António José Seguro confirmou o favoritismo e venceu as eleições em Portugal com mais de 30 pontos de vantagem. Será o novo presidente da República. Não houve surpresa no resultado. As pesquisas já indicavam uma diferença larga e a consolidação de um projeto político identificado com a centro-esquerda.

O que realmente chama atenção, no entanto, não é a vitória de Seguro, mas o comportamento de parte dos brasileiros que vivem em Portugal.

Segundo levantamentos divulgados ao longo da campanha, entre os brasileiros residentes no país, uma parcela significativa declarou voto no Chega, partido de extrema direita liderado por André Ventura. Um partido que construiu sua identidade política com discurso duro contra imigração e que frequentemente associa estrangeiros a problemas sociais e econômicos.

É um paradoxo difícil de ignorar.

O Brasil é hoje uma das maiores comunidades estrangeiras em Portugal. São centenas de milhares de brasileiros que atravessaram o Atlântico em busca de segurança, estabilidade econômica, oportunidades de trabalho e qualidade de vida. Ainda assim, parte expressiva desse grupo declara apoio justamente a uma legenda que questiona políticas migratórias e defende maior rigidez contra imigrantes.

Ninguém entende com facilidade essa escolha.

Talvez seja identificação ideológica. Talvez seja uma reprodução do embate político brasileiro no exterior. Talvez seja uma tentativa de pertencimento — votar “como os portugueses mais conservadores” para não se sentir estrangeiro. Seja como for, a história mostra que políticas restritivas acabam atingindo todos os imigrantes, inclusive aqueles que acreditaram estar fora da linha de fogo.

A vitória de António José Seguro encerra essa disputa eleitoral específica com ampla margem, mas o comportamento eleitoral da comunidade brasileira em Portugal permanece como um fenômeno político e sociológico que merece reflexão. Afinal, votar é um ato de escolha e, em tese, de autopreservação.

Quando alguém vota contra aquilo que o protege, a pergunta não é apenas política. É existencial.

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