Brasília recebeu nesta semana o título de Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural, uma honraria concedida pela União de Cidades Capitais Ibero-Americanas (UCCI). O anúncio oficial ocorreu na última quarta-feira (11), durante a abertura da reunião internacional do Comitê Setorial de Patrimônio Cultural, realizada no Palácio do Buriti.
A escolha da capital brasileira foi definida por consenso entre as cidades integrantes da rede UCCI. Fundada em Madri no ano de 1982, a organização reúne atualmente 29 cidades de 24 países diferentes, representando um universo de mais de 76 milhões de habitantes que compartilham laços históricos e culturais.
O evento de concessão do título teve como foco central o intercâmbio de boas práticas na gestão urbana e o fortalecimento da identidade histórica entre as nações. Além disso, as autoridades debateram estratégias conjuntas para a proteção dos patrimônios material e imaterial, visando garantir a integridade desses bens para as futuras gerações.
Para o secretário de Relações Internacionais do Distrito Federal, Paco Britto, o reconhecimento demonstra o prestígio mundial da capital federal. Segundo ele, ao preservar a memória do passado por meio de títulos como este, o governo reforça o compromisso de construir um futuro melhor e corrigir falhas históricas na gestão do patrimônio.
Vale lembrar que, desde 1987, Brasília já detém o título de Patrimônio Cultural da Humanidade concedido pela Unesco. Com a nova designação ibero-americana, a cidade amplia sua responsabilidade institucional, consolidando-se como o maior sítio urbano tombado do mundo e reforçando sua relevância urbanística singular.
A arquiteta Angelina Nardelli Quaglia, da Universidade de Brasília (UnB), destaca que a honraria traz benefícios práticos, como o estímulo a novas iniciativas de preservação. Segundo a especialista, o título ajuda a integrar o ordenamento público à conservação, garantindo que o desenvolvimento urbano respeite a identidade histórica da capital.
Apesar da celebração, a pesquisadora faz um alerta sobre os desafios persistentes na manutenção da memória brasiliense. Angelina aponta que diversos locais, sejam eles patrimônios materiais ou naturais, ainda sofrem com a falta de cuidado e do respeito necessário para assegurar sua continuidade e integridade ao longo do tempo.
Por fim, o título funciona como um mecanismo de segurança jurídica e política para a capital. Ele impõe ao Governo do Distrito Federal a necessidade de criar legislações e políticas públicas de qualidade, independentemente de gestões específicas, para assegurar a manutenção contínua de sua rica paisagem cultural de 65 anos.
