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Bruno Mars vira gigante no palco para fãs de São Paulo

Foto/Divulgação

Do alto dos seus não tão impressionantes assim 1,65 m, Bruno Mars se encontra entre os gigantes da música pop atual. Encara todos olho no olho. E, não importa o tamanho do rival, o provável é que o oponente vá beijar a lona.

Cinco anos depois da última passagem pelo Brasil, em 2012, o havaiano que começou a carreira como cover de Michael Jackson em uma banda que emulava os Jackson Five, é o maioral. Quem dá as cartas no universo mainstream mais do que o rapaz? Beyoncé, provavelmente, é a única a estar acima dele na cadeia alimentar radiofônica. É claro, ele encara rivais fortes, como Ed Sheeran e Justin Bieber. Num embate contra o inglês e o canadense, contudo, eu apostaria no baixinho de topete avantajado.

Bruno Mars é daqueles artistas que lotam uma data em um estádio para mais de 60 mil pessoas, como o Morumbi em questão de horas e, espertamente, deixam a agenda vaga para ocupar a noite seguinte caso a procura seja imensa. E assim foi. O show por São Paulo, anunciado em maio, teve os ingressos da primeira data vendidos em questão de horas, assim como no Rio de Janeiro. Duas novas datas foram criadas, uma no Rio e outra na capital paulista, para apaziguar a voraz vontade dos fãs.

É importante pontuar algo, contudo. Mars, sagaz e bom de mercado, não usa nem abusa dos fãs latino-americanos como os bastiões do rock geriátrico (vou poupar dos nomes) e de outros grandões do pop que percorrem o Brasil ano sim, ano não. Mars tocou por aqui em 2012, quando tinha apenas um disco na praça, Doo-Wops & Hooligans. Trata-se de um bom álbum, mas o potencial chicletístico do rapaz ainda estava em estágio embrionário.

Mars era o sucesso daquele verão de 2011/2012, com uma penca de hits grudentos – entre eles, destacavam-se Just the Way You Are, Grenade, Talking to the Moon e Marry You -, mas o futuro do havaiano ainda era misterioso. Poderia ter sido apenas um raio certeiro demais, que talvez não repetisse o feito.

Portanto, na primeira passagem pelo Brasil, como atração do festival Summer Soul Festival, dividindo as atenções nas noites em São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis com Florence and The Machine. Cinco anos depois, a noite é dele – a abertura será da banda DNCE, um projeto de Joe Jonas, um dos Jonas Brothers. Meia década mais tarde, ele coleciona cinco gramofones do Grammy na estante e dois discos recebidos por elogios de todos os lados (fãs e crítica).

Mars mostra que há uma questão de ritmo que deve ser revista. Em tempos de playlists e de música fácil, por streaming, o músico não se apressa para lançar discos. Desde a visita ao Brasil, foram dois. Unorthodox Jukebox saiu mais tarde, naquele ano de 2012, e, quatro anos depois, veio 24K Magic. Enquanto a corrente ideológica do pop atual é entupir os ouvintes de músicas novas e parcerias – veja, por exemplo, o bem-sucedido exemplo da Anitta -, Mars aposta na força dos singles que ele reuniu em cada um dos álbuns.

Unorthodox Jukebox, por exemplo, raspado até o tacho. Locked Out of Heaven, When I Was Your Man, Treasure, Gorilla e Young Girls, lançados como singles em um intervalo de quatro meses, em média, tiveram boa rotação nas rádios. 24K Magic segue o mesmo caminho. Pouco mais de um ano depois do lançamento do álbum, ele ainda exibe fôlego. Trata-se de um álbum de pop maduro, com referências diretas às figuras mais emblemáticas do pop, soul e R&B do passado (Michael Jackson e James Brown) temperadas com doses açucaradas de dores de amor contemporâneo energizadas pelo vigor de Mars no palco. Ali, ele é um gigante.

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