Ronaldo Caiado mal lançou sua pré-candidatura à presidência e já tratou de delimitar com clareza de que lado pretende governar, e não é exatamente o lado do povo trabalhador. Ao se posicionar contra o fim da escala 6×1, Caiado sinaliza alinhamento direto com interesses empresariais, ignorando uma das pautas mais sensíveis para quem vive do próprio trabalho. Em um país onde a exaustão laboral é regra para milhões, defender a manutenção de jornadas desgastantes não soa como firmeza de convicção, mas como distanciamento da realidade.
O mais curioso é que essa posição não enfrenta apenas críticas ideológicas, mas também contraria dados objetivos. Pesquisas recentes indicam que mais de 80% dos trabalhadores celetistas apoiam o fim da escala 6×1. Trata-se de uma demanda concreta, que dialoga com qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Ignorar esse dado não é uma escolha política, é, sobretudo, uma aposta arriscada contra a opinião da maioria.
Se política também é sobre leitura de cenário, Caiado parece começar sua caminhada tropeçando. Ao se colocar contra uma pauta amplamente popular, corre o risco de consolidar uma imagem de candidato distante, pouco sensível às demandas do cotidiano da população. Em tempos em que o eleitor cobra empatia e compromisso com o bem-estar social, escolher ficar ao lado de uma minoria privilegiada pode ser decisivo.
