De que é feita a vida?
Pergunto às madrugadas que se abrem como templos,
quando o silêncio se torna oração
e o coração busca respostas nas estrelas.
Sou feito de pó e de luz,
sou sopro que atravessa eras,
sou viajante do tempo que não se mede,
sou chama que insiste em arder no vento.
Os sonhos que me visitam são sementes celestes,
não partem comigo,
mas florescem em jardins invisíveis,
onde o eterno guarda cada desejo.
Sou matéria e espírito,
sou médico e aprendiz da própria alma,
sou refúgio de memórias que se tornam relíquias,
fragmentos de eternidade gravados em mim.
E quando me olho no espelho,
não vejo apenas a passagem do tempo,
mas o reflexo de um universo que pulsa,
um relógio de estrelas que nunca se apaga.
A alegria que guardo é chama sagrada,
mesmo que casas, ruas e amigos antigos
tenham se tornado areia levada pelo vento.
Eles vivem em mim como constelações ocultas,
como cânticos que não cessam.
E desperto ao canto do pintassilgo,
que anuncia o renascer do dia,
quando persigo meus sonhos como quem busca auroras.
E embora não saiba teu nome,
sei que és promessa escrita no céu,
meu amado invisível,
que minha alma implora para encontrar.
E quando esse encontro acontecer,
o mundo será transfigurado,
o tempo será apenas ponte,
e a vida se tornará cântico do infinito,
Uma poesia escrita,
Uma canção tocada,
um sonho realizado na eternidade do amor.
