Brígida Poli,
E então, depois de longos três meses, recebo seu livro das mãos da Edna Domenica, com dedicatória (delícia)…
Vou explicar: não consegui ir na sua noite de lançamento do livro No escurinho do cinema; e fiquei com mais curiosidade ainda com os comentários de Edna Domenica e Clara Amélia de Oliveira, publicados, na época, no Café Literário Notibras. Logo depois, saindo de uma livraria, torci o tornozelo e começou a trajetória de raio “x”, gesso, andador, cadeira, cirurgia… ainda me restabelecendo da fratura, conforme o tempo da terceira idade…
Finalmente, encontrei com Edna e recebi o livro… Com a leitura de outro livro em andamento, o seu ficou na cabeceira, acenando uns dias pra mim. Hoje o li, me diverti, estive com você nas salas, lembrei da caderneta escolar com data de nascimento “modificada”, quem nunca da nossa geração? Fiz isso para assistir a Exorcista e também Dona Flor e seus dois Maridos, não sei se nessa ordem precisa…
Um trecho a destacar é o capítulo XIV – O carimbo e a tesoura – página 42, já que refere a Solange Hernandez, a rígida chefe de visão de Censura e Diversões Públicas do Ministério da Justiça, entre 1981 e 1984, os últimos anos da ditadura no país. Lendo esse capítulo, lembrei-me da letra de Solange. Foi escrita por Leo Jaime (nascido em Goiânia, no ano de 1960, ícone do rock nacional nos anos 1980). A música do The Police, Solange, (So Lonely) – 1985, foi um protesto e deboche contra a censura, durante o final da ditadura militar brasileira. Mas talvez, na época, muita gente não se ligou na letra:
“Eu tinha tanto pra dizer
Metade eu tive que esquecer
E quando eu tento escrever
Seu nome vem me interromper
Eu tento me esparramar
E você quer me esconder
Eu já não posso nem cantar
Meus dentes rangem por você…”
Brígida, adorei ler No Escurinho do Cinema e reviver alguns acontecimentos. Obrigada por sua escrita e os momentos bons proporcionados.
Taís Palhares.
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Taís Palhares é paulistana. Participou do Café Literário Notibras com os textos solos: “Ensaio para Plínio Marcos” e “Caminhos da vida”; e nos coletivos: “Daqueles tempos distantes como “Baby, eu sei que é assim” “, “Do interior para a senzala da cidade… e um bebê do patrão”, “Conserta-se discos voadores”, “Do que você gosta? – Quem vive sem gostar sabe sabor do desgostar”, “Algoritmos de sangue”, “Como matar a liberdade, o amor e a mulher”.
