Como é mais jovem do que eu, tem mais visibilidade e muita história de luta pela causa antimachista, pensei em recorrer a você, quando soube do besteirol dito pelo locutor roedor da audiência passiva de plantão.
Então, envio algumas questões cidadãs, talvez úteis para serem usadas em redes sociais, fóruns e discussões cidadãs:
1- Se útero fosse identidade, as companheiras esterectomizadas perderiam seus direitos individuais?
2- Se menstruação fosse identidade, as mulheres pós menopausa não poderiam mais concorrer a vagas em concursos e seleções para empregos?
Não poderiam pagar suas contas mesmo que tivessem amealhado recursos anteriormente, ou seja, no seu período reprodutivo?
3- O que seria essa “espécie de carimbo genético emitido por uma repartição imaginária da natureza”?
4- Essa repartição “biológica” mencionada acumularia funções judiciárias, legislativas e executivas?
5- Essa “repartição” “da natureza” também teria poderes sobre a vida pós morte? Determinaria quem vai para o Céu ou para o Inferno?
Cara Erika, a fala absurda do locutor não diz respeito exclusivo às mulheres trans.
Diz respeito ao cumprimento dos princípios subjacentes à Constituição Federal Brasileira. Fere princípios das ciências biológicas, filosóficas, éticas.
Ocupa espaço nas mídias num momento em que há tanto a discutir no âmbito da justiça e da igualdade social.
Coloca holofotes no moralismo da classe média para dar vez somente à classe alta… Altíssima… Aquela que quer fazer crer que representa “O Altíssimo”.
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Edna Domenica é autora de O Setênio (Tão livros, 2024) e coautora de Rapsódia da Rua da Mooca (Tão livros, 2026).
