Uma amiga postou que determinado conto meu era supimpa. Aí já viu…
Eram dois amigos numa cidadezinha mineira (certas coisas só acontecem em Minas). Amigos inseparáveis, mas bem diferentes. Um deles era um otimista incorrigível, achava tudo maravilhoso, delicioso, bestial (era filho de portugueses). E expressava sua admiração por meio de uma palavra quase em desuso: supimpa, sempre em tom de exclamação.
O segundo era mais cético, mais desconfiado, bem mineiro. Quando o amigo se extasiava e soltava um supimpa!, ele dava um sorrisinho irônico e respondia com um cáspite… Segundo os dicionários, esse termo, também bolorento, tem acepções de aprovação ou admiração. No caso dele, jamais era de aprovação, e o espanto vinha polvilhado de um ceticismo à modacasa.
Os amigos dos dois, é claro, passaram a chamá-los de cáspite e supimpa. E, por vezes, até eles usavam esses nomes entre si. É o que vou fazer neste continho.
Supimpa trabalhava no turno da noite, era segurança numa indústria. Certa vez, teve uma intoxicação alimentar e voltou cedo para casa. Ao entrar, ouviu gemidos vindos do quarto, abriu a porta – e viu Cáspite, aquele traidor fidumaegua, dando um trato em sua esposa, aquela traidora fideumacã.
Por um momento, os três ficaram paralisados. Mas Cáspite não podia parar, estava quase lá, e a mulher já havia iniciado sua novela orgásmica. Então, ele foi em frente. Quis explicar ao amigo, que estava a ponto de perder para sempre, que a culpa não era apenas dele, a mulher era uma delícia. Então, sorriu amarelo e a qualificou de um modo que o irmãozim entenderia:
– Supimpa!
Supimpa compreendeu, era a sua expressão predileta para algo delicioso. Respondeu de bate pronto:
– Cáspite!
Dessa vez, com uma interjeição de indignação na voz. E baixou a porrada.
