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Cerratenses, um ponto onde se cuida (e aberto para ser visto) do cerrado brasileiro

Gabriela Moll

Inaugurado em setembro de 2015, o Centro de Excelência do Cerrado — Cerratenses é um espaço de pesquisa e preservação do bioma predominante na Região Centro-Oeste e presente em quase 24% do território nacional. Pesquisadores, ambientalistas e qualquer pessoa interessada na temática podem visitá-lo, no Jardim Botânico de Brasília, para buscar referências sobre o Cerrado. “É um local de relacionamento, uma rede de acolhimento e de visibilidade para o bioma, tão essencial ao Brasil”, defende o superintendente, o servidor Rafael Poubel.

Apesar de estar no Distrito Federal, o espaço foi concebido como uma rede estruturante para pensar o Cerrado como um todo, incluindo as unidades da Federação em que existe, além do DF: Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rondônia, São Paulo e Tocantins.

Do alto do mirante, é possível enxergar os cerca de 500 hectares (mais de 60 superquadras do Plano Piloto) de vegetação nativa que compõem o Jardim Botânico de Brasília. A reserva ecológica, que abriga o parque, tem aproximadamente 4,5 mil hectares. Ali podem ser vistos quatro pontos de abastecimento de água do Distrito Federal e exemplares da fauna e da flora do bioma encontrado em toda a unidade federativa.

Com área de 1.622 metros quadrados, nos quais funcionam três escritórios e trabalha uma equipe de cerca de 20 funcionários, o Cerratenses é resultado de parceria do governo de Brasília com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Caatinga, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Alinhado com a proposta do ambientalmente correto, o espaço físico foi construído com técnicas sustentáveis, como uso de grandes janelas de vidro para aproveitar a luz do sol, e com materiais renováveis, como a madeira.

Em 2015, o projeto arquitetônico recebeu de uma organização ambientalista internacional o prêmio Green World Award. “O projeto de um centro de pesquisa já estava concebido no plano de manejo do Jardim Botânico de Brasília, mas só foi possível com recursos provenientes de compensação ambiental”, informa Poubel. O Cerratenses foi construído com recursos privados, em contrapartida à construção da área residencial dos Jardins Mangueiral, próximo ao parque do Jardim Botânico.

O centro de excelência tem ainda laboratório multidisciplinar e áreas para exposições, seminários, palestras e apresentações. O projeto prevê também a construção de uma biblioteca digital do Cerrado e uma cafeteria com produtos da gastronomia regional.

Origem do nome – O termo Cerratenses significa “gente do Cerrado” e foi cunhado pelo historiador goiano Paulo Bertran e pelo fotógrafo Rui Faquini. Para o superintendente, Rafael Poubel, uma das missões do local é fortalecer a identidade do brasiliense com o bioma. “Falta muito essa questão do pertencimento. Há pessoas que nasceram em Brasília e que não sabem o que é Cerrado”, explica o ambientalista.

A rede de atuação do Cerratenses ainda conta com o Centro Internacional de Referência para Água e Transdisciplinariedade, sob responsabilidade da Secretaria do Meio Ambiente. Lá são desenvolvidos estudos sobre o tema inerente ao bioma, que ganhará destaque com o Fórum Mundial da Água de 2018. “O evento vem não apenas para evidenciar o tema, mas para sensibilizar o mundo sobre a importância do Cerrado como base hídrica do planeta”, acredita Poubel. “Aqui nascem dez das 12 bacias hidrográficas brasileiras.”

Para o superintendente, o fórum será a oportunidade para o Brasil pensar na importância da preservação. Segundo ele, depois da Mata Atlântica, o Cerrado é o bioma brasileiro que mais sofreu os impactos da urbanização. “Sofremos muito com a falta de políticas de preservação do Cerrado e com o agronegócio desenfreado”, afirma Poubel. Na opinião dele, o foco na preservação da Amazônia também contribuiu para que o desmatamento aumentasse nas áreas do bioma. “Com o mundo todo de olho no norte do País, ficou mais difícil desmatar por lá, o que deixou o centro-oeste ainda mais vulnerável aos interventores”, constata.

Outra vertente que faz parte do trabalho do Cerratenses é a valorização dos povos tradicionais e da cultura local. Até 14 de agosto, o espaço abriga a exposição A Arte do Povo Kayapó Mekrãgnoti, que traz imagens e artesanatos diversos do povo das regiões do Pará e de Mato Grosso. O local ainda apresenta exposições de fósseis de animais e de pinturas da flora nativos do bioma — ambos em exibição sem data definida para acabar. “Também temos parcerias com entidades ligadas ao consumo sustentável e à exploração de frutos, folhas e raízes do Cerrado na alimentação”, conta Poubel.

A equipe do centro de excelência também prepara ações para a Virada do Cerrado, que neste ano será de 8 a 11 de setembro. A série de atividades promovidas pela Secretaria do Meio Ambiente e por parceiros termina no Dia Nacional do Cerrado, comemorado em 11 de setembro.

Serviço
Centro de Excelência do Cerrado — Cerratenses
Visitação de terça-feira a domingo
Das 9 às 17 horas
No Jardim Botânico de Brasília (Setor de Mansões Dom Bosco, Área Especial, na subida da QI 23 do Lago Sul)
Entrada: R$ 5 (menores de 12 anos, pessoas acima de 60 anos e pessoas com deficiência não pagam)

Agência Brasília

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