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Charlie Hunnam tenta alavancar aqui a espada de Arthur

Pedro Antunes

Charlie Hunnam, também conhecido como “o cara que negou o papel de Christian Grey nos filmes de Cinquenta Tons de Cinza” e pelo protagonismo na série de TV Sons of Anarchy, não estava na lista de três ou quatro atores selecionados por Guy Ritchie para interpretar o personagem-título de Rei Arthur – A Lenda da Espada, cuja estreia em território nacional se dará nesta quinta-feira, 18. O inglês, contudo, foi capaz de mudar a ideia do diretor de Rock’n’Rolla: A Grande Roubada (2008) e O Agente da U.N.C.L.E. (2015).

É por isso, afinal, que o ator de 37 anos esteve em São Paulo, nesta segunda-feira, 15, com o intuito de promover o longa – cuja bilheteria no fim de semana de estreia, nos Estados Unidos, arrecadou parcos US$ 14,7 milhões, um número inexpressivo diante do seu custo, que foi de US$ 175 milhões. Em uma passagem relâmpago pela cidade, Hunnam brincou que conhecerá São Paulo pelas janelas do hotel localizado na zona sul. “Bela vista vocês têm aqui”, disse ele, ao entrar no quarto reservado para as entrevistas com alguns jornalistas brasileiros.

“Sempre fui obcecado com lenda do Rei Arthur”, ele conta. Ainda criança, com 6 anos, Hunnam foi impactado por Excalibur, filme de John Boorman, lançado em 1981. “Devo ter assistido a esse filme umas 50 vezes entre os 6 e 9 anos de idade”, supõe ele, em tom de piada. “O filme me fez perceber que gostaria de ser ator ”

Em Hollywood, Hunnam tem sido um notável outsider. Seu maior papel foi em Círculo de Fogo, longa de Guillermo del Toro que reunia robôs e monstros gigantes em lutas avassaladoras – Hunnam era um dos “pilotos” das máquinas que tentavam salvar a humanidade de virar papinha das feras. Ainda que o longa tenha caído no gosto de quem curte essas aventuras com raízes fincadas na cultura nipônica, Hunnam ainda é um rosto pouco conhecido para quem não assistiu à série Sons of Anarchy ou ao seriado cult Queer as Folk, no ar em 1999 e 2000, no qual atua ao lado de Aidan Gillen, ator de Game of Thrones, e escalado para interpretar o Ensaboado Bill na aventura de Ritchie.

“Sobreviver nesse mercado, na indústria do cinema, é uma mistura de sorte, trabalho duro e fé”, teoriza. Ele sabe da pressão que é ter o seu rosto diante de uma produção que custou uma boa quantidade de dinheiro e que é esperado arrecadar o suficiente para garantir a existência de uma extensa sequência de filmes. “É muita responsabilidade ser a pessoa do pôster, e imaginar o valor, você pensa: ‘F…’.” Ele segue: “Sempre vi a carreira como algo em construção. As pessoas sempre vão lembrar das coisas mais recentes ou dos papéis mais relevantes. Ser um ator, como qualquer outro ofício, você vai melhorando nesse trabalho. As qualidades crescem.”

Embora Rei Arthur não tenha funcionado nas bilheterias norte-americanas – ainda perdendo para o blockbuster Guardiões da Galáxia Vol. 2, que fez US$ 66 milhões no último fim de semana e está em cartaz desde abril no país -, a força do filme pode vir do mercado europeu, asiático e latino. A história de Ritchie tenta revitalizar a lenda de Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda. A Lenda da Espada é apenas a ponta do iceberg que são as crônicas envolvendo o homem que empunha a espada Excalibur e seus companheiros. A renda em bilheteria, contudo, é necessária para que a franquia se estabeleça nesse mercado disputado. “Nós, pessoas que trabalham com essa parte criativa, colocamos muita esperança no trabalho, mas sabemos que não depende da gente a existência de uma continuação”, ele diz.

Diante da primeira grande oportunidade, Hunnam vibra ter conquistado o papel de Arthur no seu convencimento. “Muita gente ainda acha que sou norte-americano”, ele conta. Na seleção de atores preferidos de Ritchie, ele ficou para a segunda rodada.

“Entraria caso os outros caras não aceitassem. E todos querem trabalhar com Guy Ritchie”, diz. Hunnam, então, entrou em um avião e voou até Los Angeles, para se encontrar com o diretor. “Eu disse: ‘Desculpe-me pelo palavreado, mas f…-se isso.” O ímpeto do ator conquistou Ritchie. “Sou da filosofia de lutar pelo que se acredita.”

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