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Cidade vista por mulher não é a mesma cidade

Homens e mulheres não vivem a mesma cidade, ainda que caminhem pelas mesmas ruas. A experiência urbana é profundamente marcada pelo gênero.

Doreen Massey já discutia como o espaço urbano não é neutro; ele é produzido por relações de poder. Para muitas mulheres, a cidade é um mapa mental de perigos e estratégias: ruas iluminadas, horários seguros, locais onde pedir ajuda, caminhos alternativos.

Existe uma geografia invisível que muitas mulheres carregam na cabeça. Não é o mapa oficial da cidade, mas o mapa da sobrevivência cotidiana.

Essa experiência urbana também revela desigualdades de mobilidade. Mulheres fazem trajetos mais fragmentados: trabalho, escola dos filhos, mercado, casa de parentes enquanto a mobilidade masculina historicamente se concentrou no deslocamento casa-trabalho.

Olhar a cidade a partir da experiência feminina é perceber que urbanismo, transporte público e segurança são também questões de gênero.

A cidade, quando vista por uma mulher, deixa de ser apenas espaço urbano e passa a ser território político.

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