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Como o Congresso pode alçar Messias ao coração da Justiça

Crescem as especulações de que Jorge Messias pode deixar a Advocacia-Geral da União para assumir o Ministério da Justiça, passando a coordenar, entre outras estruturas, a Polícia Federal. Se confirmado, o movimento redesenha completamente o significado político da recente rejeição de seu nome para o Supremo Tribunal Federal.

A articulação que teria levado ao veto do Senado, capitaneada por Alcolumbre, foi interpretada como uma derrota do governo. No entanto, a política tem dessas ironias: ao tentar bloquear uma indicação ao STF, o Congresso pode acabar reposicionando uma figura de confiança do presidente em um cargo com poder direto sobre investigações sensíveis. Em vez de afastar Messias do centro do poder, a manobra pode tê-lo aproximado ainda mais de um núcleo estratégico e com capacidade de produzir efeitos concretos no cotidiano político.

Se se confirmar, o tiro pela culatra de Alcolumbre ganha contornos plausíveis. Afinal, ao assumir o Ministério da Justiça, Messias teria sob sua alçada órgãos responsáveis por apurações que alcançam figuras públicas e estruturas de poder. Evidentemente, não se trata de antecipar culpas, mas de reconhecer que, em um ambiente político tensionado, eventuais investigações envolvendo nomes influentes, como o próprio Alcolumbre e seus aliados, tendem a ganhar ainda mais visibilidade.

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