Tudo andava nos conformes até aparecer aquela messalina possuída. A endemoniada que queria se dar bem às custas do suor do Breno.
A possessa queria usar o fruto de uma orgia pra arranjar a vida dela. Aquela Salomé achou que ia rolar a cabeça do meu “amigo de fé”.
Aquela Madalena não arrependida pensava que a cabeça dela de Medusa ia continuar a espalhar veneno.
Pensei sem meus botões (pois só visto regata):
— Tá amarrado em nome de Jesus!
Então, como um fiel escudeiro defendi o Nosso Reino, preservando a família, a propriedade e a amizade, ajudei a acabar com aquela impura. Aquela maldita, maligna, malandra, travessa, tinhosa, teimosa, furiosa. Lúcifer. Mefistófeles. Diogo. Devassa. Diaba. Demo. Demônio. Belzebu, beiçudo, pé-de-bode. Satã, satanás, sete-peles. Capeta, canhoto, cão, coxo, coisa-ruim, cramulhão, chifrudo.
Ajudei a acabar com quem era o próprio Mal.
‒ Fiz tudo em nome do senhor, Pastor Claudir. Eu juro em cima dessa bíblia sagrada!
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Edna Domenica é autora de “O setênio” (Tão Livros, 2024) e co autora de Rapsódia da Rua da Mooca (Tão Livros, 2024).
