Você…
ergueu raízes no tempo suspenso,
entre versos tímidos e silêncios guardados,
como estrela que se instala no céu
sem pedir permissão para brilhar.
Cada palavra que eu escrevia
já estava imersa em tua imagem,
como constelação que se desenha sozinha,
mesmo quando o olhar não a procura.
Recusei-me a acreditar no impossível,
mas ele cintilava em cada linha,
e minha ousadia em falar de ti
rasgava o véu do medo,
transformando sombra em claridade.
Comecei a te amar,
e o tempo não se detém,
mesmo que eu tente voltar
às primeiras sílabas que descreviam
tua ternura e teu encanto.
Esse amor, que temi confessar,
transformou-se em estrelas,
e nelas minha vida se dissolveu,
como poeira cósmica entregue ao vento.
Se sou culpada por amar-te,
ou culpada por calar,
é por isso que não escrevo teu nome,
mas deixo tua essência gravada
em cada estrela que me habita.
Tu te instalaste em mim,
cada fibra da minha pele
sonha com tua presença,
com o toque que desperta auroras,
com o sopro que acende constelações.
E espero o dia em que este amor,
confessado nas linhas ocultas,
se torne realidade,
como estrela que rompe a noite
para florescer em luz eterna.
