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Corpo magro não é sinônimo de felicidade

Foto/Divulgação

Os relatos são muitos podendo variar um pouco o contexto, mas é muito comum colocarmos a felicidade em um aspecto fora do nosso bem-estar interno. O foco pode ser ter um determinado carro, uma casa na praia, um outro parceiro, mas para uma grande parcela de mulheres ter um corpo magro é uma meta de vida.

A beleza sendo vendida em um conjunto de característica é uma absoluta agressão ao feminino. A mulher perde a sua beleza natural em busca de estereótipos impossíveis de serem alcançados, ou mesmo, conquistado à base de muitas restrições e agressões.

Há poucos dias ouvi um relato de uma amiga sobre alisar o cabelo, me deixei ouvir sem preconceito às colocações que ela foi defendendo. Fiquei dias com a questão borbulhando na minha cabeça, até que ficou claro o quanto também cedi à indústria da beleza quando neguei a forma de meus cabelos.

Estamos todos muito vulneráveis a essa cultura do belo, até porque muitas vezes algumas escolhas parecem simplificar nossa vida, como no caso de ter os cabelos alisados. Compramos a ideia de que ficamos mais bonitas, mais arrumadas, mas será que essa beleza forjada realmente nos traz felicidade?

Parece um pouco complexo, mas quando me refiro à felicidade estou tentando falar um pouco do que fomos, deixando de lado no decorrer dos anos para agradar ao outro, a sociedade. O corpo magro é somente um dos aspectos dessa sociedade doentia que explora o feminino e a beleza convencendo milhares de mulheres no mundo, lembrando que homens também são afetados, de que não somos suficientemente bonitas, sedutoras ou mesmo competentes sendo quem somos.

Não paramos para pensar muito sobre isso e quando ousamos olhar para essa questão do corpo magro vemos como normal todo esse movimento, vamos tentando nos adaptar às formas das roupas que as indústrias vêm diminuindo e achamos lindo quando uma marca de roupa que deveria servir a todos os padrões anuncia alguma mudança para atender um público que tem um corpo real, um corpo que foge aos padrões. Ou mesmo quando decidem colocar um manequim tamanho quarenta e dois na vitrine, ou alguma marca permite modelos acima do peso normalmente aceitos nos desfiles.

Na verdade, lançam na sociedade uma cultura de insatisfação, não se preocupam com a tristeza que propagam, com a depressão, com a dor que vem gerando. Para sobrevivermos, muitas se lançam em dietas restritivas, horas de malhação, ciclos de compulsão que demandam tratamento emocional e psiquiátrico, isso quando o fim não é marcado por uma tragédia.

Enquanto colocarmos no corpo a nossa felicidade, estaremos subjugados a uma sociedade doentia, que busca o bem-estar e a felicidade fora, desprezando o que temos dentro, o que somos na essência.

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