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Corra que a polícia vem aí

Cláudio Castro quer ser senador pelo Rio de Janeiro. A ambição política segue firme, o que vacila mesmo é a confiança pública. Porque, no Rio, toda vez que um governador anuncia o próximo passo da carreira, a pergunta que surge não é “vai ganhar?”, mas sim: será que chega lá em liberdade?

Pode soar duro, mas é quase um roteiro conhecido. A prisão parece ter se tornado o destino inevitável de ex-governadores fluminenses. Uma espécie de maldição institucional que mistura corrupção estrutural, esquemas mal explicados e um histórico que já não permite ingenuidade. A gente olha para trás e percebe que não é exagero: governar o Rio e terminar atrás das grades virou uma repetição constrangedora.

Faço aqui uma exceção necessária, por honestidade intelectual e justiça histórica: Benedita da Silva não entra nessa lista. Sua trajetória é outra, marcada por coerência, luta social e ausência de escândalos. Dito isso, o restante do histórico pesa e pesa muito.

Então, quando Cláudio Castro fala em Senado, não dá para ignorar o elefante na sala. O Rio de Janeiro já viu esse filme antes, muitas vezes. E o público, calejado, aprendeu a desconfiar. Talvez o problema não seja apenas quem quer ser senador, mas o sistema político fluminense que insiste em produzir sempre os mesmos desfechos.

No fim das contas, fica a sensação amarga de que, no Rio, o futuro político raramente se discute sem a sombra do passado e, pior, sem a suspeita de que o próximo capítulo pode não ser escrito nas urnas, mas nos tribunais.

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