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Corrupção na Petrobras, a munição contra Dilma em debate na Record

O telespectador que assistiu ao debate entre os presidenciáveis que se estendeu da noite de domingo 28 à madrugada desta segunda-feira, na TV Record, viu de tudo. A presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição, foi acuada pelos adversários no episódio Petrobras. E Marina Silva (PSB), teve de dar explicações sobre a votação da CPMF. Dos três melhores colocados nas pesquisas, Aécio Neves (PSDB) foi categórico ao dizer que estará no segundo turno. “Só não sei com quem”, sublinhou.

Ao longo do debate, Dilma, Marina e Aécio buscaram o confronto direto. A petista afirmou que, ao contrário do que Marina disse em debate na TV Bandeirantes em agosto, ela nunca votou a favor da criação da CPMF, repetindo a tática usada pela propaganda petista, em inserções na televisão. Dilma também acusou Marina de mudar de partido e de posição repetidas vezes.

“A senhora mudou de partido quatro vezes nesses três anos. Mudou de posição de um dia para outro em temas extrema importância como a CLT, a homofobia e o pré-sal. No debate da Bandeirantes, a senhora disse que tinha votado a favor da criação da CPMF porque achava que era o melhor que se podia ter para a saúde. Qual foi mesmo seu voto, candidata, como senadora, na questão da CPMF?”, questionou Dilma.

Na resposta, Marina disse que mudou de partido “para não mudar de ideias e princípios” e afirmou que votou sim favoravelmente à criação da CPFM.

“A CPMF é um processo que começou em 93, com várias etapas. Nessas várias etapas, no momento em que foi a votação do fundo de combate à pobreza, que aliás foi uma iniciativa do senador Antônio Carlos Magalhães, a composição do fundo seria de recursos da CPMF e dos impostos sobre cigarro. Naquela oportunidade, tanto na comissão, quanto no plenário, votei favorável, sim. Eu e o senador Eduardo Suplicy, mesmo com a oposição séria de várias lideranças do PT, que a época diziam que eu estava favorecendo um senador de direita”, disse Marina.

Na réplica, Dilma afirmou não entender como Marina “pode esquecer que votou quatro vezes contra a criação da CPMF”. Marina respondeu a Dilma que não tem a “lógica da oposição pela oposição e da situação raivosa”. “Nem da situação cega, que só vê qualidades quando há problemas. Eu tenho posição sim, eu votei a CPMF para o combate a pobreza.”

Quando foi sua vez de perguntar, Marina escolheu o etanol como assunto para criticar o governo federal.

“O setor de álcool combustível tem pago um alto preço no atual governo. Cerca de 70 usinas fechadas, 40 em recuperação judicial, perda de emprego, cerca de 60 mil empregos perdidos, mesmo depois do presidente Lula ter estimulado o setor. O que aconteceu para que você mudasse o rumo da política, causando tanto prejuízo econômico e desemprego no nosso país?”, perguntou Marina.

Dilma usou o maior tempo da resposta para tratar de políticas de geração de energia elétrica. “É muito difícil, extremamente difícil alguém querer solucionar o problema de energia elétrica baseado pura e simplesmente em energia que não seja a hidrelétrica.”

Em seguida, Marina afirmou que Dilma não respondeu ao seu questionamento e repetiu a pergunta. Na resposta, a presidente afirmou que a política do etanol no seu governou baseou-se em subsídios, financiamentos e desonerações.

Dilma questionou Aécio sobre se ele tem a intenção de privatizar a Petrobras. O tucano negou e falou em “reestatizá-la”. “Vou tirá-la das mãos desse grupo político que tomou conta dessa empresa e está fazendo aquilo que nenhum brasileiro poderia imaginar.”

Em seguida, Aécio citou reportagem da revista “Veja”, segundo a qual a campanha de Dilma em 2010 teria pedido R$ 2 milhões ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa por meio do tesoureiro de campanha, o ex-ministro Antonio Palocci.

“A senhora era a presidente do conselho de administração desta empresa. É vergonhoso, eu expresso aqui a indignação de milhões de brasileiros. As denúncias não cessam. A última dessa semana é do coordenador da sua campanha. Preciso que isso seja comprovado, mas a denúncia está numa importante revista”, afirmou Aécio.

Na resposta, Dilma afirmou que seu governo combateu a corrupção na Petrobras e disse que os tucanos sempre quiseram privatizar a empresa. “Eu combato a corrupção para fortalecer a Petrobras. Tem gente que combate para usar as denúncias de corrupção para enfraquecer a Petrobras. Eu registro que os senhores foram sempre favoráveis a uma relação com a Petrobras de privatização. É eleitoreiro falar o que senhor vai reestatizar. Aliás, o senhor vendeu uma parte das ações a preço de banana e tentaram tirar o “bras” do nome Petrobras, de Brasil, por quê? Para vender mais fácil no exterior.”

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