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Cristovam no Planalto, Celina no Buriti. Está pronto o cenário de Brasília para 2018

Kimberlly Oliveira e Otávio Medeiros

O ato de filiação dos ex-pedetistas Cristovam Buarque e Celina Leão ao PPS, na noite da segunda-feira, 22, na sede do regional do partido em Brasília, serviu como largada na disputa pelos palácios do Planalto e do Buriti em 2018. A nível nacional, com o senador encabeçando uma chapa, a costura ainda é um enigma.  Mas, para a corrida local, sinaliza-se uma ampla aliança com a presidente da Câmara Legislativa atraindo as forças do médio e baixo clero para o seu lado.

A deputada distrital Celina Leão, conhecida por sua afinidade com a juventude, dispensou a pompa e usou o traje básico: calça jeans, blusa e jaqueta. O senador Cristovam apareceu com o traje de sempre, embora de terno novo, apresentando o vermelho, cor que faz parte da bandeira da legenda junto com o amarelo, na gravata.

Os dois políticos chegaram juntos ao Centro Comercial Conic, onde os aguardava uma multidão. Foram recepcionados pelo deputado federal Roberto Freire, eterno presidente do PPS. O discurso das novas estrelas do partido foi homogêneo. Evitaram projetar futuras candidaturas, alegando ser cedo para afirmações a respeito de cargos majoritários, e que o foco agora é trazer renovação não só ao partido, mas para a política brasileira.

Cristovam disse que não pediu ou recebeu oferta para legenda à presidência em 2018, porém, afirmou com todas as letras que se o partido decidir que ele é a melhor opção para concorrer ao Palácio do Planalto, vai estar pronto para o que der e vier.

Amigo há 50 anos de Roberto Freire, Cristovam se disse emocionado por assinar o casamento enquanto comemora as bodas de ouro. “A minha missão aqui é ajudar um partido que tem história no momento em que o Brasil precisa de uma reformulação para o futuro e, ao mesmo tempo, precisa de uma maneira nova de fazer política”, destacou.

Devagar com o andor – Já Celina Leão, ao ser indagada sobre sua posição junto ao governo de Rodrigo Rollemberg, afirmou que sua conduta será a mesma, de independência. A distrital deixou claro que seu compromisso é com a cidade, sentenciando que a harmonia entre os poderes é importante e que a população espera isso dela, coerência.

– Desde que anunciei a minha independência, coloquei os cargos que tinha à disposição. Hoje, são de responsabilidade do governador, garantiu. Sobre concorrer a um cargo majoritário em 2018, ela classificou como “muito cedo” para qualquer definição.

Os bastidores da festa de filiações, porém, evidenciaram outra coisa. Basta lembrar que o evento foi prestigiado pelo próprio Rodrigo Rollemberg (PSB) e outros próceres da política brasiliense, a exemplo do senador Antônio Reguffe (sem partido), o deputado federal Izalci Lucas e distrital Raimundo Ribeiro, ambos tucanos; os também distritais professor Israel (PV), Telma Rufino (sem partido) e Chico Leite (Rede).

Na mesma noite das filiações começaram a ser costuradas alianças formais e outras brancas, com vistas a 2018. Analistas políticos admitem, inclusive, três palanques distintos em Brasília, para o primeiro turno.

Um deles seria do PPS, com Cristovam de olho no Planalto, levando Celina a tira-colo para o Buriti. Outro caberia à Rede de Marina Silva, que ajudaria a alavancar a candidatura de Chico Lite ao Senado. Por fim, o palanque de Aécio Neves, que defenderia o nome de um dos seus apadrinhados – seja Izalci ou Raimundo Ribeiro – como vice da chapa comandada por Celina.

Cabos eleitorais de Cristovam e Celina lotaram o pequeno auditório e a espaçosa praça vista das janelas da sede do PPS. Rollemberg deixou no ar algumas afirmações vagas, como a de que espera contar com o apoio do PPS, além de comemorar o “fortalecimento da esquerda”.

Coube a Roberto Freire responder indiretamente ao governador.

– O PPS tem uma relação com o governo de Brasília, não é de base, até porque não está presente no governo diretamente, mas não é oposição. Nós participamos da campanha no segundo turno e temos um bom diálogo. Agora, presença no governo nós não temos, mas isso não é problema. Para o bem de Brasília, o PPS pode ajudar o governo, sublinhou. Dele não se ouviu um ‘ao menos por enquanto’, mas quem lê olhos, entendeu o recado.

O certo é que as mudanças no cenário político de Brasília estão se evidenciando a cada dia. O PPS, que antes carecia de representantes no poder, agora conta com a presença oficial de um senador de grande renome e com a presidente de um dos poderes da capital. A hipótese de que mais mudanças venham acontecer é bem real, o que só gera mais expectativas para as eleições de 2018.

Até lá, fica valendo a teoria dos três palanques, com Celina disputando o Buriti com um tucano voando ao lado dela, e Chico Leite, que encontrou um lugar ao sol na Rede, correndo por uma das duas vagas no Senado na mesma coligação branca.

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