É fácil julgar quando não se está dentro. De fora, tudo parece simples: “era só sair”, “era só terminar”, “era só se amar mais”.
As pessoas acham que a violência começa no tapa, quando, na verdade, ela começa bem antes: no controle disfarçado de cuidado, na culpa plantada aos poucos, no medo de desagradar, na perda silenciosa de si mesma. A violência começa em doses pequenas, quase imperceptíveis e quando a mulher percebe, já está muito envolvida pelo controle emocional e, muitas vezes, financeiro.
Nenhuma mulher acorda decidida a se envolver com um homem abusivo e controlador. Muito menos escolhe permanecer porque quer. A permanência não nasce da vontade, nasce do medo, da manipulação e do esvaziamento gradual de si mesma.
Na maioria das vezes, elas ficam porque foram ensinadas que deveriam ser submissas, porque foram isoladas da família e amigos ou porque aprenderam a achar que a dor é normal e que o amor sempre exige sacrifício e a mulher quem deve se sacrificar pela família.
Julgar é confortável. Exige pouco.
Difícil é entender que a dependência emocional não é falta de caráter, nem fraqueza, é resultado de gaslighting, medo e desgaste psicológico.
Quem está fora precisa parar de perguntar “por que ela não saiu?”
E começar a perguntar “o que fizeram com ela para que sair parecesse impossível?”.
