Quando Geraldo Alckmin afirma que quem defende ditadura não deveria sequer ser candidato, ele está apenas lembrando o óbvio, mas que tem precisado ser repetido em voz alta. A democracia pressupõe regras mínimas de convivência, entre elas o compromisso com sua própria preservação. Submeter-se ao voto popular com o objetivo de, depois, destruir o próprio sistema que possibilitou essa escolha é uma fraude política.
Mas talvez seja hora de ir além do óbvio. Não se trata apenas de impedir candidaturas de quem flerta com regimes autoritários; trata-se de proteger o próprio ambiente democrático contra aqueles que o ameaçam deliberadamente. Democracia não é ingenuidade institucional, não é um espaço aberto para que seus inimigos a utilizem como trampolim para o seu fim. Países que viveram rupturas sabem bem: a erosão democrática muitas vezes começa com a tolerância excessiva ao intolerável.
O Brasil pagou caro demais pela redemocratização para tratar esse tema de forma leviana. Foram anos de repressão, censura e violência até que o país reconquistasse o direito de escolher seus próprios caminhos. Essa conquista não pode ser banalizada em nome de uma suposta liberdade irrestrita. Defender a democracia exige vigilância, compromisso e, sobretudo, a coragem de estabelecer limites claros para quem insiste em brincar com aquilo que custou tanto a ser reconstruído.
